Governo anuncia plano para frear desmatamento no Cerrado

Rio de Janeiro, 10 set (EFE).- O Governo federal anunciou hoje um plano para combater o desmatamento no Cerrado, o maior ecossistema do país depois da Amazônia e um dos mais afetados pelo avanço da agropecuária.

EFE |

O plano prevê a vigilância do desmatamento no Cerrado com imagens de satélite, como já acontece na Floresta Amazônica, como forma de preservar a biodiversidade da região.

Segundo a iniciativa anunciada hoje pelo Ministério do Meio Ambiente, o Cerrado já perdeu 48,2% de sua cobertura vegetal original, o que equivale a cerca de um milhão de quilômetros quadrados devastados.

Apenas nos últimos seis anos, a área devastada chegou a 127 mil quilômetros quadrados, segundo um estudo realizado por meio da comparação de imagens de satélite feitas em 2002 e em 2008.

Além da vigilância com satélite e das medidas para aumentar a fiscalização, o Plano de Ação de Prevenção e Controle do Desmatamento no Bioma Cerrado (PPCerrado) terá orçamento de quase US$ 200 milhões até 2011 e prevê a criação de reservas e campanhas para controlar os proprietários rurais.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, reconheceu que, apesar aos avanços conseguidos para frear o desmatamento da Amazônia, o Governo pouco combateu a devastação do segundo maior bioma brasileiro.

Enquanto o ritmo de devastação na Amazônia caiu para cerca de 10 mil quilômetros quadrados ao ano, o menor nível nas últimas décadas, o do Cerrado chega a 20 mil quilômetros quadrados de destruição por ano.

"Há dez anos, o desmatamento na Amazônia e no Cerrado era igual, de 20 mil quilômetros quadrados por ano. Felizmente conseguimos reduzi-lo pela metade no ecossistema amazônico. A má notícia é que não conseguimos fazer isso no Cerrado", disse Minc.

A cobertura vegetal do Cerrado, queimada para a produção de carvão vegetal, deu lugar a pastagens para a criação de gado e a cultivos de cana-de-açúcar e soja, principalmente.

"Os dados mostram uma realidade muito cruel. Hoje se desmata no Cerrado o dobro do que se destrói na Amazônia. Não queremos que o Cerrado se transforme em uma nova Mata Atlântica", afirmou o ministro.

Para combater a destruição do Cerrado, o Ministério do Meio Ambiente identificou os 60 municípios que foram responsáveis por cerca de um terço da área devastada nos últimos seis anos e nos quais as ações de fiscalização serão prioritárias.

Tais municípios estão localizados nos estados de Goiás, Tocantins, Bahia e Mato Grosso, e se transformaram em importantes regiões produtoras de grãos e de carvão.

Para Minc, a importância do plano para reduzir a destruição do Cerrado reside no fato de que as nascentes das três maiores bacias hidrográficas do Brasil nascem no bioma: a do Rio São Francisco, a dos rios Araguaia e Tocantins e a dos rios Paraná e Paraguai.

"O Cerrado é a fonte da maior parte do manancial de águas do país e não pode ser prejudicado pela agricultura", disse.

"Se continuarmos destruindo as fontes dessas bacias, vamos ter menos água e menos energia renovável (hidroelétricas). Não estamos preocupados apenas com a fauna e a biodiversidade, mas também com o desenvolvimento do Brasil", concluiu o ministro. EFE cm/bba

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