Washington, 30 mar (EFE).- O Governo dos Estados Unidos, irritado com a demora na reestruturação das montadoras, ofereceu hoje a última oportunidade para a General Motors (GM) e a Chrysler se salvarem da falência e receberem mais ajudas públicas, mas com condições mais duras.

O presidente americano, Barack Obama, apresentou hoje seus planos de reestruturação para o setor, que incluem a renúncia do principal executivo da GM, Rick Wagoner, e a concessão de mais dinheiro, mas não descartou que uma das saídas aos problemas das montadoras seja a "falência organizada" das empresas.

Tanto GM quanto Chrysler ganharam mais tempo para finalizar seus planos de reestruturação, que, para o presidente americano, até agora se desenvolveram muito lentamente.

O governante americano disse que seu Governo acelerará os planos para comprar novas frotas de veículos e que está preparando uma série de incentivos para que os consumidores comprem mais carros produzidos no país.

Uma das primeiras medidas adotadas serão deduções fiscais dos impostos pagos pela compra de novos veículos desde 16 de fevereiro.

Obama também anunciou planos para desenvolver programas similares aos existentes na Europa, para incentivar a substituição de veículos usados por novos.

No entanto, o Governo americano deixou claro que a possibilidade de as empresas declararem falência já não é vista de forma negativa pela Administração.

A GM e a Chrysler tinham advertido de que esta possibilidade era a pior das opções, e significaria a morte quase certa das empresas.

Para facilitar esta opção, Obama disse que o Governo respaldará as garantias dos veículos de GM e Chrysler, pois muitos consumidores hesitam na hora de comprar esses automóveis devido à possibilidade de a firma quebrar e ninguém assumir o compromisso.

A primeira vítima do endurecimento da atitude da Administração americana foi o presidente da General Motors, que foi obrigado a apresentar sua renúncia.

Wagoner anunciou que deixa o cargo horas antes de Obama explicar ao público americano da Casa Branca o plano que os assessores do presidente para o setor automotivo desenvolveu para resgatar o setor.

O executivo da GM explicou em comunicado que, na sexta-feira, os assessores de Obama pediram durante uma reunião em Washington que ele deixasse a direção da maior fabricante de automóveis dos EUA.

Seu substituto à frente da companhia será Fritz Henderson, até agora diretor de operações da General Motors, que estará encarregado de dirigir a "reestruturação fundamental" que Obama exigiu hoje às duas montadoras.

O presidente americano disse que as autoridades do país oferecerão dinheiro à empresa durante os próximos 60 dias para que possa continuar funcionando normalmente, enquanto prepara seu plano definitivo de reestruturação.

As diretrizes da Casa Branca são claras. A reestruturação "deve reduzir de forma substancial" a dívida e as responsabilidades financeiras da GM.

Além disso, as mudanças devem permitir "rapidamente" a competitividade total da companhia com as empresas asiáticas que produzem nos Estados Unidos.

Isto significará uma drástica redução no número de marcas que a GM possui, assim como a diminuição de sua rede de concessionárias.

Finalmente, o Governo quer que a firma invista o suficiente em novas tecnologias para que os veículos tenham um consumo de combustível menor.

No caso da Chrysler, Obama advertiu de que sua situação é "mais difícil" e que, de acordo com a análise dos assessores para o setor automotivo, a empresa só poderá sobreviver se a prevista aliança com a italiana Fiat se concretizar.

O prazo dado à Chrysler é menor, de 30 dias. Durante esse tempo, a Administração americana fornecerá dinheiro para que a empresa siga operando e chegue a um acordo final com a Fiat.

Se, após esse período, as duas companhias alcançarem um acordo e um plano aceitável, o Governo concederá outro empréstimo de US$ 6 bilhões à Chrysler.

Obama explicou que sua Administração chegou a um acordo "para assegurar que a Chrysler pague aos contribuintes qualquer novo investimento" antes que a Fiat obtenha uma participação majoritária na empresa. EFE jcr/db

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