Governo alemão e bancos aprovam crédito e dão alívio ao Hypo Real Estate

Berlim, 6 out (EFE) - A Alemanha conseguiu hoje, literalmente no último instante, aprovar uma nova operação de resgate para evitar a quebra do banco hipotecário Hypo Real Estate (HRE) e a inevitável queda das bolsas que teria seguido ao fracasso.

EFE |

Hoje à noite, a menos de duas horas para a abertura das bolsas na Ásia, o Governo e os bancos privados acordaram um novo pacote de ajuda ao banco hipotecário alemão no valor de 50 bilhões de euros.

Com esta segunda tentativa de resgate em apenas uma semana -o primeiro pacote fracassou após vir a público que as necessidades do HRE eram superiores às anunciadas-, a Alemanha, definitivamente, abandonou sua posição de relativa passividade frente à crise.

Horas antes de pactuar esta operação de ajuda, a chanceler alemã, Angela Merkel, tinha deixado entrever que o Estado oferecerá uma garantia estatal a todos os depósitos privados, cuja soma alcança cerca de 568 bilhões de euros.

Com isso, Merkel não só abandonou a direção que mantinha até agora, mas inclusive seguiu o exemplo da Irlanda, à qual, na minicúpula de Paris, ainda tinha criticado por ter empreendido este caminho sozinha.

No entanto, o risco de que a Alemanha sofresse uma fuga de capital em direção à Irlanda, como a que ocorreu no Reino Unido, fez o Governo mudar de idéia e abandonar a via da consolidação orçamentária como o máximo preceito a ser seguido.

Merkel e o ministro das Finanças, Peer Steinbrück, antecipavam em conjunto: "Garantiremos que os poupadores e poupadoras na Alemanha não tenham que perder um só euro de seus depósitos".

Já no Ministério das Finanças, representantes do Governo, do Bundebsank e dos bancos privados buscavam com empenho soluções para o HRE.

Finalmente, a solução consistiu em que os bancos, que no sábado ainda anunciaram que se retiravam da operação após saberem que os problemas de liquidez do HRE eram muito maiores do que os revelados, dobrassem seus créditos imediatos.

Segundo o Ministério das Finanças alemão, os bancos se comprometeram a conceder uma garantia de crédito adicional de 15 bilhões de euro, que se soma aos 35 bilhões de euros acordados por Estado e bancos há uma semana.

Com estes 50 bilhões de euros, espera-se devolver ao banco a liquidez necessária e recuperar a estabilidade dos mercados financeiros, informaram as fontes.

O acordo contempla que em até um montante total de 14 bilhões de euros, o Estado assuma 40% e os bancos, 60% dos riscos que seriam derivados se o HRE tivesse que usar os créditos.

A instituição financeira alemã comemorou o acordo e, em uma primeira reação, em sua sede em Munique, um porta-voz disse que o banco analisará agora os detalhes do acordo.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o ministro das Finanças, Peer Steinbrück, tinham rejeitado antes uma nacionalização do banco, como tinham exigido alguns institutos.

Merkel assegurou que, independentemente de o Estado estar disposto a ajudar o banco em crise, seu Governo iniciará todos os instrumentos legais necessários para responsabilizar pessoalmente os culpados da má gestão.

"Devemos isso ao contribuinte", disse.

Um porta-voz do HRE havia admitido antes que os problemas de liquidez de sua filial Depfa Bank, estabelecida na Irlanda, tinham aumentado desde que a operação de resgate foi anunciada.

"Não há dúvida de que a liquidez do Depfa Bank piorou ao longo da semana desde que se começou a especular com a possibilidade de uma possível liquidação do Hypo Real Estate Group", disse o porta-voz.

O HRE tem grandes dificuldades de financiamento porque a filial Depfa Bank não conseguiu liquidez no mercado interbancário, por causa da crise financeira internacional.

Em 2007, o Hypo Real Estate adquiriu, por 5,7 bilhões de euros, o Depfa Bank, uma entidade especializada no financiamento de obras públicas e que depende muito dos mercados de dinheiro para seu refinanciamento.

Desde que se agravou a crise financeira, o mercado interbancário está praticamente paralisado, o que fez com que o Depfa Bank não obtivesse refinanciamento a curto prazo. EFE ih/db

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