Governo afegão não consegue convencer talibãs a negociar

O governo do presidente afegão, Hamid Karzai, não foi capaz de convencer os talibãs a negociar sobre a situação do Afeganistão, revela à AFP o senador Arsalan Rahmani, um dos principais intermediários entre as duas partes.

AFP |

"É difícil convencê-los a vir negociar", depois de oito anos de guerra, ao longo dos quais "nunca houve um contexto favorável para as discussões", lamenta o parlamentar, que mantém contato regular com os fundamentalistas.

Rahmani duvida que um acordo possa ser alcançado com os talibãs a curto prazo, mesmo com os chamados "moderados", como deseja o presidente afegão, Hamid Karzai.

Neste momento, explica, "não temos contato direto entre as duas partes, há mais encontros e a partir disto fazemos as mensagens chegarem (ao) Talibã Rahbari Choura", o conselho geral dos fundamentalistas, dirigido pelo Mulá Mohammad Omar.

"Há dois anos, Karzai tenta falar com os talibãs, ele é quem está mais disposto" a escutar suas demandas, "porque é da etnia pachtun" e porque é oriundo da região de Kandahar (sul), bastião do talibã, estima Rahmani.

De qualquer maneira, lembra o senador Rahmani, os talibãs sempre exigiram a saída das tropas estrangeiras como condição si ne qua non para iniciar as negociações.

Para o parlamentar, o problema deveria ser abordado no sentido inverso: "é preciso negociar com os talibães e alcançar a paz. Só então as tropas estrangeiras poderão partir, do contrário haverá problemas".

Por outro lado, mesmo que as negociações sobre pontos específicos fossem possíveis neste meio tempo, os insurgentes inevitavelmente colocariam sobre a mesa "o destino dos prisioneiros de Bagram", estima Rahmani, referindo-se à grande base militar dos Estados Unidos nos subírbios de Cabul.

As condições da prisão de Bagram foram denunciadas pelo governo afegão e por várias organizações de defesa dos direitos humanos, que condenam o fato de haver ali centenas de afegãos que ainda não foram sequer submetidos a julgamento.

"Os ocidentais não compreendem o que Bagram representa para os afegãos. Milhares deles ficam presos por meses, ou mesmo anos, sem uma acusação sequer, e depois são libertados sem nenhum pedido de desculpas", destaca Mariam Abou Zahab, pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas Internacionais (CERI), com sede em Paris.

Para Rahmanihay, outra exigência inegociável que certamente seria feita pelos fundamentalistas é "a garantia de proteção a todos os opositores, não apenas aos talibãs" no advento de um retorno à vida civil no Afeganistão, ou seja, "sob controle internacional".

mba/ap

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