Governo afegão afirma que assassino de Rabbani era paquistanês

Segundo comunicado da presidência, atentado suicida contra encarregado de dialogar com o Taleban foi planejado em Quetta

iG São Paulo |

AFP
O ex-presidente afegão Burhanuddin Rabbani, em foto de janeiro de 2011
O terrorista que matou o ex-presidente e mediador de paz afegão Burhanuddin Rabbani era paquistanês, anunciou neste domingo o governo afegão, após uma investigação oficial. Diante disso, o chefe de Estado, Hamid Karzai, anunciou uma revisão da estratégia de negociação com o Taleban.

Em 20 de setembro, um homem que se apresentou como representante do Taleban para negociar a paz detonou a bomba que transportava escondida no turbante ao ser recebido por Rabbani em sua residência na capital afegã.

Cabul suspeitou que os serviços de inteligência paquistaneses estavam por trás do Taleban, que foram acusados de cometer o crime. "Existem provas de que o assassinato de Rabbani foi planejado em Quetta (sudoeste do Paquistão) e de que a pessoa que cometeu o atentado suicida era um cidadão paquistanês", afirma a presidência afegã em um comunicado.

Segundo o texto, o homem-bomba era da cidade paquistanesa de Shaman, perto da fronteira entre os dois países.

O ministro do Interior afegão afirmou no domingo que a agência de inteligência paquistanesa (ISI) estaria por trás do ataque. "Não há dúvidas de que o ISI tem seu envolvimento na trama", afirmou Bismillah Mihammadi. "Nós entregamos os documentos que provam isso ao governo paquistanês."

O ministro das Relações Exteriores paquistanês negou as afirmações, qualificando-as como "alegações sem embasamento". "Em vez de fazer comunicados tão irresponsáveis, aqueles em posição de autoridade em Cabul deveriam seriamente a respeito de por que todos os afegãos que apoiam a paz e o Paquistão são sistematicamente retirados de cena e mortos", acrescentou o ministro paquistanês.

O presidente Karzai, estimulado pela comunidade internacional, tenta há vários anos persuadir o Taleban a retornar à mesa de negociações, oferecendo inclusive responsabilidades governamentais no caso de entrega das armas.

Mas os líderes insurgentes islamitas, cuja guerrilha ganha espaço desde 2007, nunca responderam favoravelmente e se limitaram a alguns contatos preliminares. "Todas as discussões de paz com o Taleban estão suspensas. O presidente revisará a estratégia de paz e reconciliação", declarou à AFP Siamak Herawi, porta-voz da presidência.

O chefe de Estado anunciará a nova estratégia em um discurso que será exibido pela televisão em breve, completou o porta-voz. A decisão foi tomada após o assassinato do ex-presidente Rabani, que coordenava o Alto Conselho pela Paz, cuja missão era entrar em contato com os insurgentes.

Os militantes do Taleban, sempre dispostos a reivindicar os ataques ousados em Cabul, não fizeram comentários sobre esse atentado. "O mulá Omar (líder do Taleban) não tem direção. Seu emissário era um assassino. Então, com quem devemos falar?", questionou Karzai na sexta-feira passada. "A nação afegã me pergunta com quem mais estou negociando e eu respondo: com o Paquistão", completou.

Neste domingo, centenas de pessoas se manifestaram em Cabul contra o Paquistão e a suposta interferência de seus serviços secretos (ISI) nos assuntos afegãos.

Com AFP, AP e EFE

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