Governistas vencem com folga eleição legislativa em Angola

Por Paul Simão LUANDA (Reuters) - O partido Movimento Pela Libertação de Angola (MPLA), atualmente no governo, garantiu uma vitória folgada nas eleições parlamentares, armando o palco para mudanças que, segundo alguns, poderiam fortalecer ainda mais a Presidência e enfraquecer outras instituições do país africano.

Reuters |

O MPLA, que controla Angola desde sua independência de Portugal, em 1975, e que adotou políticas liberais depois de abandonar o marxismo no começo da década de 1990, esmagou a oposição, dividida e carente de verbas, nas eleições realizadas durante dois dias.

A legenda governista ficou com quase 82 por cento dos votos, segundo uma contagem inicial cujo resultado foi divulgado na quarta-feira, e derrotou com folga os oposicionistas em todas as 18 Províncias desse país rico em petróleo.

Esse resultado significa que o MPLA conquistaria ao menos 170 das 220 cadeiras do Parlamento -- ou quase 80 por cento do total.

O presidente angolano, José Eduardo dos Santos, e outras autoridades do MPLA fizeram campanha afim de conquistar os dois terços de cadeiras necessários para alterar a Constituição do país. Os governistas, no entanto, não especificaram quais mudanças pretendem realizar.

'A oposição teme que uma Presidência autoritária possa ser criada e que as leis deixem de ser observadas', afirmou Fernando Macedo, professor de direito e analista de política da Universidade Lusíada (Luanda).

Segundo Macedo, um Parlamento dominado pelo MPLA não seria capaz de limitar facilmente alguns direitos protegidos pela Constituição, entre os quais a garantia de que Angola é uma democracia multipartidária e de que possui um Poder Judiciário independente.

No entanto, o partido governista poderia fortalecer-se por meio do colapso virtual do maior grupo da oposição, a Unita, que conquistou apenas 10 por cento dos votos. O ex-grupo rebelde ficou com 34 por cento dos votos na eleição anterior, realizada em 1992.

Os investidores, com destaque para as empresas petrolíferas, mostram-se em geral satisfeitos com o atual governo angolano, ávido por atrair mais capital para os setores de petróleo e diamantes, em franca expansão, e para outras áreas da economia hoje negligenciadas, entre as quais a agricultura.

A Unita reclamou ter enfrentado um clima extremamente desfavorável no período de campanha por causa do acesso do MPLA a recursos financeiros e por causa do controle da legenda sobre os meios de comunicação do país, entre os quais seus grandes canais de TV e rádio.

Observadores norte-americanos e europeus afirmaram que não houve uma disputa equilibrada e que a eleição viu-se prejudicada por várias irregularidades. Mas também disseram que o processo representava um passo na direção certa para um país onde 27 anos de guerra civil terminaram apenas em 2002.

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