Governistas lideram apuração na África do Sul

JOHANESBURGO - O partido Congresso Nacional Africano (CNA) lidera a apuração das eleições gerais realizadas na África do Sul, com 63% dos votos, depois de apurados 14,2% dos votos, informou nesta quinta-feira a Comissão Eleitoral Independente.

Redação com agências internacionais |

O CNA soma 2.078.352 votos entre os 3.304.062 apurados. As pesquisas apontam seu líder, Jacob Zuma, como o favorito para ser o próximo presidente da África do Sul, apesar das suspeitas de corrupção.

Com este resultado, o CNA fica perto da maioria de dois terços que tinha na Assembleia Nacional. Com 66% dos votos, o partido poderia reformar a Constituição sem recorrer a alianças.

Investidores internacionais torcem para que o CNA não consolide sua hegemonia, pois temem que Zuma ceda a aliados esquerdistas, para os quais o crescimento do país não se refletiu no bem-estar da população. Zuma promete não alterar a atual política econômica, num momento em que o país corre o risco de viver sua primeira recessão em 17 anos.

Em segundo lugar na apuração aparece a Aliança Democrática (DA, na sigla em inglês), com 636.637 (19,3%). O CNA lidera ainda a apuração em oito das nove províncias, enquanto a DA está em primeiro no Cabo Ocidental.


Eleitores fizeram fila para votar na África do Sul

O comparecimento às urnas foi estimado em 80%. Durante todo o dia, houve filas nas seções eleitorais de todo o país. Em muitas delas houve falta de cédulas, e outras permitiram que a votação continuasse até bem depois das 21h (16h em Brasília).

Foi o quarto pleito desde que a eleição de Nelson Mandela acabou com o regime do apartheid. O CNA continua hegemônico desde então, mas muitos sul-africanos agora se sentem frustrados com a corrupção, a pobreza e a criminalidade.

"Estamos entrando em uma era pós-libertação. As pessoas estão falando de novas questões e desafios, e há também uma nova geração que não está vinculada à luta pela libertação", disse o analista independente David Monyae.

"Votei no CNA por lealdade, porque meu pai foi ativo na luta, mas não estou satisfeita com o que eles têm feito", disse Margaret Nkoane, 57 anos, em Soweto, subúrbio de Johanesburgo que se tornou símbolo da luta contra o regime de segregação racial. "Muita gente espera empregos, mas continua vivendo em barracos", acrescentou.

* Com EFE e Reuters

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