Apoiadores do presidente da Bolívia, Evo Morales, iniciaram nesta segunda-feira uma marcha a favor da convocação de um referendo constitucional no país. O ato de início da marcha contou com a presença do próprio presidente.

Os manifestantes saíram da cidade de Caracollo para um trajeto de 200 quilômetros até a capital do país, La Paz, onde devem chegar no início da próxima semana.

Os organizadores da marcha esperam que a caminhada seja uma grande demonstração de apoio a Morales.

O objetivo é pressionar os integrantes da oposição no Congresso para que cheguem a um acordo sobre o texto da nova Constituição boliviana, que seria tema de um referendo no início de 2009.

A nova Constituição daria mais poder para a maioria indígena da Bolívia e daria ao Estado mais controle sobre a economia.

As reformas também permitiriam que Morales disputasse a reeleição, o que poderia significar a permanência do presidente no cargo até 2019.

De acordo com a colaboradora da BBC Mundo na Bolívia, Mery Vaca, os governistas também querem que o Congresso aprove a convocação de um referendo sobre a reforma agrária proposta por Morales.

Oposição
Os opositores de Morales dizem temer que, quando a manifestação chegar a La Paz, os representantes da oposição sejam impedidos de entrar no Congresso, como ocorreu no final de 2007.

O apoio dos partidos de oposição é decisivo para a aprovação da nova proposta de Constituição, já que o partido de Morales não tem a maioria no Senado.

Para tentar resolver as diferenças entre governo e oposição, representantes da administração de Morales e prefeitos (governadores) de Departamentos (Estados) começaram uma rodada de negociações em meados de setembro. As discussões, no entanto, terminaram no final do mês, sem acordo.

Os governadores da oposição se negaram a assinar um acordo argumentando que, exceto pela questão da autonomia dos departamentos, o governo se negou a fazer outras concessões no texto constitucional.

De acordo com os planos do governo, revelados pelo próprio Morales, o referendo constitucional deve ser realizado em fevereiro do próximo ano. Em julho, novas eleições devem ser convocadas para os cargos do executivo.

Com os altos índices de aprovação ao seu mandato, Morales espera ser reeleito para poder continuar seu projeto de governo com uma nova Constituição.

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