Governistas e opositores tomam as ruas de Caracas em clima eleitoral

Caracas - Partidários e opositores do presidente venezuelano, Hugo Chávez, saíram neste sábado às ruas de Caracas em manifestações que transcorreram sem incidentes, e em um ambiente de campanha eleitoral em um ano de difíceis pleitos parlamentares.

EFE |

Apesar de ainda faltar oito meses para a próxima reunião diante das urnas, tanto o presidente Chávez, que uniu-se à mobilização governista, como os dirigentes opositores, aproveitaram as grandes manifestações para lançar palavras de ordem com relação às legislativas convocadas para 26 de setembro.

EFE
Chávez participa de manifestação em apoio ao seu governo

"Unidade" pediram os grupos aos seus apoiadores durante as respectivas mobilizações, nas quais participaram milhares de pessoas para comemorar os 52 anos da queda da ditadura militar do general Marcos Pérez Jiménez em 23 de janeiro de 1958.

Conforme fontes da oposição, milhares caminharam pelo centro em direção aos bairros gritando palavras de ordem contra Chávez e a favor que a oposição vá unida às legislativas de setembro.

"Chávez, estás fora do jogo" estampava os cartazes erguidos pela oposição que expressava assim a rejeição às recentes medidas do Governo, entre estas a desvalorização da moeda nacional e os cortes de luz e água diante da crise energética que passa o país rico em petróleo.

Os simpatizantes dos diferentes grupos de oposição, que buscam unir-se na chamada "Mesa de Unidade" diante do ano eleitoral, concluíram sem incidentes sua passeata, em meio às declarações de seus líderes com relação às eleições.

Reuters
opositores a Chávez

Atualmente, a unicameral Assembleia Nacional (AN), de 167 deputados, conta com maioria governista, já que na eleição passada a oposição não apresentou candidatos.

"A unidade é a garantia de vitória para as eleições legislativas de setembro, para que tenhamos um Parlamento que controle o Governo e evite que a saída de dinheiro para o exterior", disse hoje o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma.

Por sua vez, Julio Borges, coordenador do partido opositor Primeiro Justiça afirmou: "estamos em um ano de mudança, um ano no qual podemos virar o omelete".

"A partir de hoje temos que ter uma ideia clara para todos: 2010 é o ano da mudança. Vamos mudar com o voto esta ditadura ineficiente", acrescentou Borges.

O governador do estado Miranda, Henrique Capriles, do mesmo partido que Borges, disse que "as mudanças virão quando cada um trabalhar para alcançá-las".

"Chegará o dia em que estas duas mobilizações se encontrarão", manifestou.

Pouco após concluir a manifestação opositora em um extremo de Caracas, Chávez chegava à concentração governista no centro da cidade, ovacionado pelos partidários.

A bordo de um caminhão e acompanhado por suas filhas, o líder venezuelano, vestido de vermelho - cor do "chavismo" - da mesma forma que a grande maioria de seus partidários, acudiu a uma praça, próxima ao Palácio presidencial de Miraflores, onde terminava a passeata convocada pelo Governo.

Logo após iniciar seu discurso, Chávez ordenou a todos os canais de televisão entraram em "cadeia nacional" por um minuto, que depois se prolongou por mais de cinco, para clamar pela unidade dos que apóiam a chamada revolução bolivariana que lidera e para mostrar uma suposta superioridade numérica na concentração.

"Começou uma campanha admirável, oligarcas tremam, viva a alegria patriótica. Anunciamos que o povo está na rua, as ruas são do povo e não da oligarquia", bradou o governante.

Chávez pediu a unidade de todos e fez um chamado a jovens, mulheres, trabalhadores, profissionais, intelectuais e militares para que sigam trabalhando na construção do socialismo.

Terminada a cadeia obrigatória, o presidente continuou seu discurso por mais duas horas e meia, durante as quais criticou "o império", em alusão aos Estados Unidos, e defendeu a política de seu Governo.

"Vamos seguir construindo a pátria boa", afirmou o presidente, quem reiterou o compromisso de lutar contra a pobreza e a delinquência, e melhorar as condições dos trabalhadores venezuelanos.

"O ano 2010 começa com uma batalha", disse Chávez, quem voltou a desafiar "os esquálidos", como chama à oposição, a que "chamem um referendo".

Há pouco mais de uma semana, o presidente venezuelano, que superou um referendo em agosto de 2004, já desafiou à oposição a tentar tirá-lo do Governo com outra medida do tipo.

Os porta-vozes opositores negaram que pretendam convocar essa consulta e disseram que Chávez insiste nisso para desviar a atenção dos problemas econômicos e sociais, que atribuem à ineficiência do Governo.

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