Governistas cubanos repreendem manifestação de Damas de Branco

Havana, 17 mar (EFE).- Seguidores do Governo cubano repreenderam hoje uma manifestação no subúrbio de Havana de 30 Damas de Branco, que lembravam o sétimo aniversário da prisão de 75 dissidentes, e as levaram embora à força em dois ônibus.

EFE |

Laura Pollán, porta-voz do grupo dissidente, declarou à Agência Efe que o ônibus a levou para casa. Ela qualificou o ocorrido como um "sequestro", porque as mulheres foram "obrigadas" a entrar nos ônibus, empurradas e arrastadas.

Os governistas, em sua maioria mulheres vestidas de civis ou com uniformes do Ministério do Interior, obrigaram as Damas de Branco a subir nos ônibus em meio a uma operação na qual também participaram policiais uniformizados para fechar as ruas adjacentes.

As Damas de Branco, grupo de familiares dos 75 opositores detidos na onda repressiva de 2003, assistiram hoje a uma missa em uma igreja de Párraga, bairro dos arredores de Havana, e depois pretendiam visitar o opositor Orlando Fundora, que supostamente está em greve de fome há dias.

Quando as dissidentes deixaram a igreja, cerca de 300 partidários do Governo de Raúl Castro começaram a segui-las e hostilizá-las com gritos e palavras de ordem ao longo de dois quilômetros, à medida que mais pessoas se somavam à contra-manifestação.

As Damas, que vestiam branco, como é habitual, passaram então a gritar palavras como "liberdade" e "assassinos", enquanto os seguidores do Governo responderam com palavras de ofensa aos dissidentes.

Pelo menos em duas oportunidades, agentes da segurança do Estado pediram às Damas para encerrarem a caminhada e entrarem em um ônibus disponibilizados por eles, mas elas se negaram e insistiram em visitar o dissidente Fundora.

Enquanto as Damas caminhavam, um cordão de agentes do Ministério do Interior rodeou as mulheres, até que finalmente um ônibus de passageiros vazio bloqueou a rua e elas foram forçadas a embarcar nele e em outro que chegou depois, empurradas e arrastadas, muitas com suas roupas brancas sujas de barro.

A operação também incluiu uma ambulância e um carro dos batalhões especiais da Polícia.

Os ônibus transportaram as Damas de Branco diretamente até a casa de Pollán, no centro de Havana.

Entre as manifestantes estava Reyna Tamayo, mãe do preso cubano Orlando Zapata, morto no mês passado após uma greve de fome de 85 dias.

O Governo acusa todos os dissidentes de "delinquentes comuns" e "mercenários" a serviço dos Estados Unidos e nega que haja "presos políticos", mas a oposição assegura que há cerca de 200.

Pollán denunciou à Agência Efe que foi arranhada e teve um dedo aparentemente fraturado. Segundo ela, os seguidores do Governo fizeram "gestos obscenos" às manifestantes.

"A única coisa que íamos fazer era ir à igreja e depois visitar Fundora", disse Pollán. Segundo ela, as manifestantes não tinham pretendiam protestar diante de nenhum edifício governamental, como fizeram na terça-feira.

Ontem, as mulheres protestaram perante a sede da União de Jornalistas de Cuba, entidade governista, onde Pollán reivindicou aos jornalistas cubanos para que prestem atenção ao caso dos 53 opositores do grupo dos 75 que ainda permanecem presos.

Além disso, cerca de 150 partidários do Governo cubano zombaram das mulheres pelas ruas do centro de Havana com gritos e palavras de ordem, mas não houve violência física.

Da mesma forma que ontem, hoje foi retido um homem não identificado que estava entre as manifestantes. EFE arj/sa

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