Governantes esquerdistas serão maioria na Cúpula Ibero-Americana

Manuel Méndez. Madri, 28 out (EFE).- De esquerda e com menos de 60 anos: esse é o perfil predominante entre os 23 chefes de Estado e de Governo ibero-americanos convocados para a 18ª Cúpula Ibero-Americana, que será realizada em San Salvador no final de outubro e terá o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um dos seus protagonistas.

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No entanto, a semelhança ideológica não pressupõe aproximações políticas mais intensas, como demonstraram cúpulas anteriores, e concretamente a última, realizada em Santiago do Chile - marcada pelos atritos entre dirigentes socialistas de vários países.

Essa reunião será recordada pela frase "Por que não se cala?", do rei Juan Carlos I ao chefe do Estado venezuelano, Hugo Chávez, quando este interrompia o discurso do presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.

Chávez, de 54 anos e formação militar, anunciou no sábado passado que não participaria da cúpula porque sua "vida não estaria garantida" em El Salvador. O governante afirmou que haveria "uma série de informações" sobre um suposto plano para atentar contra sua vida, arquitetado por ex-militares do país protegidos "por alguns Governos centro-americanos e pela CIA" (agência de inteligência dos Estados Unidos).

Dos atuais governantes da América Latina, Portugal e Espanha, 16 nasceram após 1948, e a maioria se situa na esquerda política, embora adeptos de formas de governo que vão desde o comunismo até a social-democracia com traços liberais na economia.

Luiz Inácio Lula da Silva, de 62 anos, sindicalista criado no socialismo democrático, demonstra desde que chegou à Presidência, em 2002, um pragmatismo que une políticas econômicas e monetárias liberais, e programas sociais que reduziram sensivelmente a pobreza no Brasil.

O cubano Raúl Castro, de 77 anos e militante comunista desde sua juventude, é o mais velho dos governantes desde que assumiu o poder em fevereiro, e o salvadorenho Elías Antonio Saca, com 43, de direita e antigo empresário de meios de comunicação, o mais jovem.

O rei Juan Carlos I da Espanha, de 70 anos, é o único que participou de todas as reuniões ibero-americanas desde que estas foram realizadas pela primeira vez em Guadalajara, no México, em 1991.

Ele irá acompanhado pelo presidente do Governo espanhol, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero, de 48 anos, professor de Direito Constitucional, reeleito em março.

É histórica a participação de duas presidentes: a chilena Michelle Bachelet, de 57 anos, socialista e pediatra de formação, e a argentina Cristina Fernández de Kirchner, peronista e advogada de 55 anos, que sucedeu seu marido, Néstor Kirchner.

Outra novidade é o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, um ex-bispo de 57 anos e de ideologia socialista, formado em Ciências Religiosas e Sociologia, que tomou posse em 15 de agosto e acabou com seis décadas do Partido Colorado no poder.

O guatemalteco Álvaro Colom, de 57 anos, com sua "social-democracia com rosto maia", como define seu ideário político de apoio aos indígenas, tomou posse em janeiro, mas participou da última edição como "presidente eleito".

Seguidor do que denomina socialismo "humanista", o equatoriano Rafael Correa, um economista de 44 anos, vai a San Salvador fortalecido após a aprovação em referendo de seu projeto de nova Constituição.

Na mesma mesa de debate se sentará o colombiano Álvaro Uribe, de 56 anos, liberal, doutor em Direito e Ciências Políticas, com altos índices de popularidade atribuídos em boa parte aos resultados de sua política contra os grupos armados e o narcotráfico.

A mesma luta contra narcotraficantes é realizada no México por Felipe Calderón, de 46 anos, conservador e formado em Direito, que desdobrou o Exército para combater esses grupos.

Esta cúpula será a última para o panamenho Martin Torrijos, de 45 anos, graduado em Ciências Políticas e Economia, com formação militar nos Estados Unidos, cujo mandato termina em junho.

Esta será a segunda participação do nicaragüense Daniel Ortega, sandinista, de 62 anos, considerado o principal aliado de Chávez na América Central e impulsor da segunda etapa de sua "revolução popular".

Identificado também com a linha de Chávez, o boliviano Evo Morales, de 49 anos, indígena da etnia aimara, conseguiu esta semana um impulso a seu projeto constitucional após pactuar um referendo com a oposição.

O costarriquenho Oscar Arias, de 68 anos, advogado, economista e Nobel da Paz, irá à cúpula pela terceira vez, da mesma forma que o hondurenho Manuel Zelaya, liberal, de 56 anos.

O peruano Alan García, de 59 anos, doutor em Direito, em sua segunda etapa como presidente abandonou propostas esquerdistas de seu primeiro mandato e aplica uma política econômica de estilo liberal.

Também advogado, o dominicano Leonel Fernández, de 54 anos, reeleito este ano, baseia sua gestão em tentar uma melhora do bem-estar e a redução da pobreza.

O uruguaio Tabaré Vazquez, de 68 anos e ideário esquerdista, oncologista e especialista em radioterapia, anunciou que não participará da cúpula porque prefere ficar em seu país para enfrentar as conseqüências da instabilidade econômica internacional.

Para representar Portugal, irá à cúpula o presidente Aníbal Cavaco Silva, de 69 anos, doutor em Ciências Econômicas e Empresariais, um social-democrata, que será acompanhado pelo primeiro-ministro José Sócrates, de 51, engenheiro civil e socialista. EFE mmg/ab/plc

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