Governadores rebeldes da Bolívia suspendem diálogo com Morales

Os quatro governadores rebeldes suspenderam nesta quarta-feira o diálogo com o presidente Evo Morales visando superar a crise política na Bolívia, após a prisão de um líder da oposição, anunciou o governador de Tarija, Mario Cossío.

AFP |

"Tomamos a decisão de suspender, temporariamente, nossa participação nas mesas de trabalho até que o governo nacional reveja sua atuação nesse caso", afirmou Cossío, que deixou claro que o diálogo não foi rompido.

Além disso, pediu aos observadores internacionais da Unasul, OEA, ONU e União Européia que acompanhem o processo para "salvar o diálogo".

Os governadores de Santa Cruz, Beni, Chuquisaca e Tarija tomaram a decisão de congelar as negociações após a prisão do dirigente cívico do Chaco boliviano José Vaca, acusado de incentivar a explosão de um duto de exportação de gás para o Brasil, há três semanas, durante os protestos regionais contra Morales.

Vaca foi detido pela polícia no povoado de Villamontes, 1.200 km a sudeste de La Paz, e "o que ocorreu não é algo próprio à atitude de diálogo", disse Cossío, que exigiu de Morales o "respeito às garantias constitucionais e legais do cidadão, com o devido processo judicial".

Segundo o governador de Tarija, para provar que as negociações estão apenas congeladas, ele permanecerá em Cochabamba, a espera de uma resposta de Morales ao caso de Vaca.

Ao tomar conhecimento da decisão dos governadores, o líder camponês e dirigente do Movimento Ao Socialismo (MAS), Isaac Avalos, disse que a suspensão do diálogo é "um truque" e anunciou o início de "protestos" contra os governadores rebeldes.

O poder Executivo ainda não comentou a decisão, mas o ministro do Interior, Alfredo Rada, justificou a prisão de Vaca pelo envolvimento na ação para impedir o envio de gás ao Brasil.

"Qualquer ação terrorista tem consequências legais e neste caso a polícia não fez nada além de cumprir as determinações do Ministério Público".

O retorno da violência parece iminente na Bolívia, com camponeses e operários pró-Morales ameaçando isolar o Congresso por mais 15 dias para obter a aprovação da lei do referendo sobre a nova Constituição.

No final de semana passado, o presidente Evo Morales advertiu que a nova Constituição será aprovada "por bem ou por mal".

jac/rb/cn/LR

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