Governadores opositores rejeitam referendo revogatório na Bolívia

La Paz/Tarija (Bolívia), 23 jun (EFE) - Os governadores opositores ao Governo boliviano rejeitaram hoje o referendo revogatório convocado para 10 de agosto e reivindicaram uma reunião com o presidente boliviano, Evo Morales, para conseguir um acordo que dê certeza ao país.

EFE |

No caso de que esse diálogo não aconteça e Morales siga em uma posição de "arrogância", os governadores regionais propõem a antecipação das eleições gerais, disse o governador de Cochabamba (centro), Manfred Reyes Villa, aos jornalistas.

O governador dessa localidade fez estas declarações ao fim de uma reunião realizada na cidade de Tarija (sul) pelos líderes e dirigentes locais que se opõem a Morales, no chamado Conselho Democrático Nacional (Conalde).

Os opositores querem se encontrar com Morales no início de julho, afirmou Reyes Villa, que insistiu em que se o diálogo não ocorrer, "o único caminho que resta são as eleições gerais", apesar de ter admitido que essas deveriam ser convocadas também "através de um acordo político".

À reunião do Conalde assistiram os governadores regionais de Santa Cruz, Rubén Costas; de Beni, Ernesto Suárez; de Pando, Leopoldo Fernández; de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, e o anfitrião, de Tarija, Mario Cossío, cujo departamento aprovou no domingo, em referendo, o estatuto autônomo.

No encontro, os dirigentes dessas regiões sugeriram que se suspenda o referendo revogatório de 10 de agosto, após argumentar que as regras da convocação "não são claras" e que relegará o processo autônomo que parece consolidado até agora.

A maioria também achou um erro que a legenda opositora Poder Democrático e Social (Podemos, direita) tenha aprovado no Congresso a convocação deste referendo, com uma fórmula de votação que supostamente beneficia Evo Morales e prejudica os governadores regionais opositores.

O referendo para ratificar ou revogar o mandato do presidente, vice-presidente e governadores regionais foi proposto por Morales em dezembro passado, mas o projeto ficou estagnado no Senado, controlado pela oposição, que decidiu aprová-lo surpreendentemente em maio.

Nesta consulta os bolivianos precisarão responder se concordam com a continuidade do processo de mudança liderado por Morales e pelo vice-presidente, Álvaro García Linera, e com a permanência dos governadores.

Para revogar os mandatos é preciso que o "não" supere tanto o percentual de apoio obtido no pleito nacional e departamental de 2005, nos quais foram escolhidos, quanto o número absoluto de votos.

Os governadores opositores se reuniram hoje em Tarija, onde no domingo se completou o ciclo de quatro votações autônomas iniciado em maio passado.

O "sim" ao estatuto autonomista votado em Tarija se impõe com 81%, após a apuração de mais de 55% das mesas, segundo um relatório parcial divulgado hoje pela Corte Departamental Eleitoral (CDE).

Santa Cruz (leste) foi o primeiro departamento a aprovar o estatuto autônomo, com respaldo de 85,6%.

Em Beni (nordeste), o apoio ao texto autônomo foi de 79,5%, e em Pando (norte), de 81,9%.

Em todos os casos, Morales qualificou os plebiscitos de "inconstitucionais" e "separatistas" e disse que a abstenção e os votos nulos e brancos registrados nos mesmos superam os 50%.

O porta-voz presidencial, Iván Canelas, insistiu hoje em La Paz em que reconhecer os estatutos "seria um grande erro", pois explicou que não se adequam "às normas legais do país".

O ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, afirmou que no Executivo existe o temor de que, se os governadores regionais não quiserem participar do revogatório, ocorra nas regiões um processo "de violência" para desestabilizar o Governo.

Por sua parte, o presidente do Senado e dirigente do Podemos, Óscar Ortiz, disse à Agência Efe que o partido está disposto a analisar "a sério e profundamente" uma convocação a novas eleições gerais, em vez do referendo revogatório, se for uma solução à crise.

"É uma opção que eu não descarto, porque se o país realmente vai ficando cada vez mais tenso, com cenas onde já há atentados terroristas incentivos a partir do Governo, obviamente é preciso buscar uma solução, o país não pode continuar assim", afirmou Ortiz em Tarija.

O dirigente se referiu à detenção de um membro do Exército e 11 civis acusados de cometer ataques com dinamite contra um canal de televisão crítico ao Governo na localidade de Yacuiba, em Tarija.

O promotor que ordenou a detenção destas pessoas apontou a possibilidade de que o militar fosse membro do corpo de segurança do presidente, o que foi negado taxativamente pelo Governo. EFE ja/db

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