La Paz, 13 ago (EFE).- Os governadores opositores da Bolívia ratificados no referendo revogatório do último domingo não participaram hoje da mesa de diálogo convocada pelo Governo central, pois, segundo eles, o convite foi muito informal e foi feito com poucas horas de antecedência.

Em entrevista ao canal de televisão "ATB", o governador de Tarija, Mario Cossío, justificou assim sua ausência na mesa de negociações do Governo, convocação anunciada na noite da última terça pelo ministro da Presidência da Bolívia, Juan Ramón Quintana.

Cossío está em Santa Cruz para participar juntamente com o governador deste departamento e os de Beni, Pando e Chuquisaca, todos da oposição, de uma reunião do Conselho Nacional Democrático (Conalde), cujo objetivo é adotar uma posição comum contra o Governo do presidente da Bolívia, Evo Morales.

"É provável que o Governo esteja buscando, depois que soube que estávamos reunidos, diluir este esforço que as regiões têm para aprofundar suas alianças", disse Cossío.

O Conalde, como ante-sala da reunião de hoje, teve um encontro ontem à noite que se prolongou até as 3h (4h, horário de Brasília) e no qual os governadores resolveram não atenderem à convocação do Governo.

No entanto, o governador de Tarija disse que proporá na reunião de hoje do Conalde que o bloco de oposição aceite o convite do Executivo para "saber na mesma mesa se o Governo quer ou não tratar os temas de interesse dos bolivianos".

"É preciso aceitar o convite do Governo para que o país veja se realmente quer ou não entrar em um processo de reconciliação", declarou.

Para Cossío "a Bolívia necessita não somente de uma reunião, mas de um processo de reconciliação nacional que deverá ser organizado sobre as bases certas".

Dos cinco governadores do Conalde, apenas uma, a de Chuquisaca, Savina Cuéllar, que foi eleita em junho, não teve o mandato submetido ao referendo revogatório de domingo. Os outros quatro foram ratificados em seus cargos pelos cidadãos, segundo os resultados parciais divulgados até agora.

Na consulta, Morales e o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, também foram ratificados em seus respectivos cargos com 66,85% dos votos após 87,94% das urnas apuradas.

A consulta popular foi convocada como uma possível via para sair da crise política boliviana, que tem sua origem no confronto entre o projeto de refundação constitucional do presidente e os planos de autonomia do Conalde. EFE az/wr/fal

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