Governador é morto pelo próprio guarda-costas no Paquistão

Ministério diz que Salman Taseer foi morto por se opor à lei que pode castigar pessoas blasfemas até com a pena de morte

iG São Paulo |

AP
Policiais paquistaneses coletam provas de local onde governador do Punjab, Salman Taseer, foi morto por disparos em Islamabad, Paquistão
O governador da Província de Punjab, Salman Taseer, foi assassinado nesta terça-feira pelo seu próprio guarda-costas, de acordo com o ministro do Interior paquistanês, Rehman Malik, aparentemente por sua oposição a uma controvertida lei de blasfêmia do país.

Segundo o Ministério do Interior, Taseer foi assassinado porque se opôs à lei, que castiga pessoas consideradas blasfemas. Ele estava sendo alvo de críticas por rejeitar a medida, que tem o apoio de partidos e organizações conservadoras e prevê até a pena de morte.

Segundo Malik, o segurança foi preso. Taseer, que governava a província politicamente mais importante do Paquistão, foi morto no hospital para o qual foi levado após ficar ferido por disparos no Mercado de Kohsar, em Islamabad, que é frequentado por turistas. O mercado fica perto de sua residência na capital do país.

No local, o chão estava coberto de sangue e havia restos de munição. O governador da estratégica Punjab era considerado uma voz moderada do Partido do Povo Paquistanês (PPP), do presidente Asif Ali Zardari e seu primeiro-ministro, Yousuf Raza Gilani.

O assassinato de Taseer acontece em um momento delicado para o governo liderado pelo PPP, que nas últimas semanas perdeu dois parceiros de sua coalizão e está em busca de novos aliados para garantir a maioria parlamentar.

Pouco antes do crime, o líder da oposição paquistanesa, Nawaz Sharif, ter dado um prazo de três dias ao primeiro-ministro para adotar reformas-chave e evitar que o partido no poder seja excluído do governo da região de Punjab.

"O primeiro-ministro deve nos dizer num prazo de 72 horas se pode fazer isso. Se não disser nada ou disser que não pode fazer, então haverá secessão em Punjab".

O premiê, por sua vez, condenou energicamente o atentado de forma imediata e anunciou o cancelamento de todos os atos oficiais e três dias de luto oficial. Em vários comunicados, Gilani expressou um "profundo pesar" pelo assassinato e determinou uma investigação minuciosa sobre o incidente para levar os responsáveis pelo crime à Justiça.

*Com EFE e AFP

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