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Governador é detido por tentar vender vaga de Obama no Senado

O governador do Estado americano de Illinois, Rod Blagojevich, foi detido nesta terça-feira sob a acusação de tentar vender o assento no Senado deixado vago pelo presidente eleito, Barack Obama.

BBC Brasil |

Como governador, Blagojevich tem a autoridade para escolher o substituto de Obama, que representará o Estado no Senado. Blagojevich é acusado de diversos crimes de corrupção, entre eles o pedido de propina. Seu chefe de gabinete, John Harris, também foi detido.

O governador foi posteriormente liberado sob pagamento de fiança. Até o momento, o gabinete do governador não se pronunciou sobre o episódio. Blagojevich já negou acusações anteriores de corrupção.

O presidente eleito disse ter ficado "entristecido" com o caso e afirmou que não teve nenhum contato com Blagojevich a respeito da vaga no Senado.

Conversas telefônicas

Segundo o FBI (a polícia federal americana), conversas telefônicas interceptadas por agentes federais revelam que o governador estava tentando vender ou trocar o assento no Senado em troca de benefício próprio.

Nas gravações, o governador democrata supostamente oferecia a vaga de Obama no Senado em troca de um emprego bem remunerado em uma organização não lucrativa ou em um grupo afiliado a sindicatos trabalhistas, segundo documentos do FBI.

As ligações telefônicas do governador foram interceptadas no mês passado, com autorização da Justiça. Em uma conversa em 3 de novembro, Blagojevich disse que a cadeira no Senado era "uma coisa valiosa, que não se dá sem receber nada em troca".

Segundo os documentos do FBI, um dia após as eleições presidenciais americanas (realizadas em 4 de novembro), Blagojevich disse em uma conversa gravada: "Eu tenho essa coisa que vale ouro, e eu não vou simplesmente abrir mão em troca de nada".

O governador também estaria negociando um cargo para sua mulher, Patti. Ele é acusado ainda de ameaçar cortar a ajuda do Estado à companhia proprietária do jornal Chicago Tribune.

Segundo as acusações, o governador exigiu que a empresa demitisse cinco membros de seu conselho editorial em troca de ajuda financeira na venda de um estádio esportivo em Chicago.

"Orgia"

Em uma entrevista coletiva, o promotor encarregado da investigação, Patrick Fitzgerald, descreveu as ações de Blagojevich como "uma orgia de corrupção" e disse que representavam "um triste dia para o governo" do Estado.

"A conduta (do governador) faria (o presidente Abraham) Lincoln se revirar em seu túmulo", disse Fitzgerald, ressaltando que não há qualquer alegação contra Obama ou sua equipe de transição.

Fitzgerald é o responsável por várias investigações contra nomes importantes nos últimos anos, entre eles o ex-assessor da Casa Branca Lewis Libby e o magnata da mídia Conrad Black.

O promotor também participou do julgamento por corrupção do antecessor de Blagojevich no governo de Illinois, George Ryan.

Nos últimos 35 anos, três governadores de Illinois foram presos sob acusações de corrupção.

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