Governador do Novo México compara Obama a John Kennedy

Madri, 9 jun (EFE).- O governador do estado americano do Novo México, Bill Richardson, comparou hoje o candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, com o falecido presidente John Fitzgerald Kennedy e se disse convencido de que a maioria dos hispânicos votará nele nas eleições de 4 de novembro.

EFE |

Obama "tem muitos aspectos de outro candidato jovem que se chamava John Kennedy", declarou Richardson em seu discurso na Tribuna Ibero-Americana organizada pela Casa América de Madri e a Agência Efe.

"O senador Obama é uma pessoa especial, que pode unir os Estados Unidos, um homem que praticou a reconciliação, que pode estabelecer uma nova imagem dos americanos no mundo", disse o governador, que também concorreu à nomeação do Partido Democrata e se retirou das primárias em janeiro.

Após sua saída da disputa apoiou imediatamente Obama e não a senadora Hillary Clinton, o que, segundo admitiu, causou grande decepção junto ao ex-presidente Bill Clinton (que governou os EUA entre 1993 e 2001), que durante seu mandato o nomeou, entre outras coisas, como embaixador americano nas Nações Unidas.

"Bill Clinton está um pouco zangado. Bem, não tão pouco, acho que está muito zangado", afirmou com um sorriso Richardson, que acrescentou: "gosto muito dele, mas minha lealdade é aos EUA e ao Partido Democrata".

Apesar de os latinos terem apoiado a senadora "por causa da trajetória positiva dos Clinton com a comunidade hispânica", o governador do Novo México previu que "este voto será dado ao senador Obama" em novembro.

Além disso, Richardson afirmou que se geralmente o candidato democrata à Casa Branca consegue 65% dos votos do público latino nas eleições, contra 35% dos republicanos, no caso de Obama "quase 70% dos votos vão para ele".

No entanto, advertiu que o candidato republicano à sucessão de George W. Bush em Washington, o senador John McCain, tem uma boa aceitação junto aos hispânicos, pois promoveu junto com o democrata Ted Kennedy um plano para regularizar a situação dos 12 milhões de latinos que vivem ilegalmente nos EUA.

Em todo caso, disse que pesará mais a atitude "muito negativa" dos republicanos em relação à comunidade hispânica nos últimos anos e destacou que não se importará com quem McCain escolherá como eventual vice-presidente, pois os democratas "vão vencer".

Richardson disse que tudo indica que o governador da Flórida, Charles Christ, acompanhará McCain na chapa republicana em uma tentativa de atrair o decisivo voto hispânico neste Estado, mas afirmou que os estados do sudoeste serão mais importantes.

Esta é uma cartada que os democratas também deveriam jogar, sugeriu Richardson, que afirmou que a escolha do candidato à Vice-Presidência é "decisão exclusiva do senador Obama", mas defendeu que seja uma pessoa que ajude a atrair "estados cruciais" como Colorado, Nevada, Flórida e Novo México.

Estes são estados "que podem passar de republicanos a democratas em uma batalha muito apertada", com alta percentagem de eleitores de origem hispânica e que, em sua condição de "swing states" (estados pêndulo), podem decidir o futuro presidente.

"Por exemplo, o atual presidente teria sido John Kerry (derrotado por Bush em 2004) se tivesse vencido em Nevada, Novo México e Colorado, três estados que perdeu por menos de 2%", lembrou.

Richardson expôs os números do grande peso dos hispânicos na configuração política dos EUA: há seis mil cargos de escolha popular de origem latina, três senadores e 22 congressistas em um país no qual já vivem 46 milhões de hispânicos (15% do total), dos quais 7,6 milhões votaram nas eleições de 2004.

O nome do governador é citado nas apostas como possível vice de Obama na corrida para a Casa Branca, mas ele se limitou a declarar que seu partido deve estar unido até a Convenção de agosto em Denver (Colorado), atitude que deve incluir a importante tarefa de escolher o "número dois" dos democratas.

Em sua opinião, além de ter a capacidade de atrair votos, os democratas deverão avaliar "se esta pessoa pode ser presidente dos EUA caso ocorra uma tragédia". EFE fpb/ev/fal

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