Governador de Pando pede à população para aceitar estado de sítio

La Paz, 14 set (EFE) - O governador regional de Pando, o opositor Leopoldo Fernández, pediu hoje à população local para aceitar, apesar de isso doer muito, o estado de sítio imposto pelo Governo, mas não admitirá ser detido, porque considera isso um abuso. Pedimos à população, embora repudiando e rejeitando uma decisão desta natureza, que se aceite algo que dói muito, (porque) é preciso fazer os esforços para evitar maiores confrontos, disse Fernández em declarações por telefone à Agência Efe. Também afirmou que está disposto a uma investigação, mas não aceitará o abuso de ser detido porque, lembrou, é uma autoridade eleita. O governador regional disse que permanece em Cobija, a capital de Pando, em sua casa e convidou o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, que está na região, a ir ao local para dialogar. Segundo Fernández, em Cobija reina uma tranqüilidade relativa e tensa depois da incursão realizada esta madrugada pelas Forças Armadas para fazer cumprir o estado de sítio decretado pelo Governo de Evo Morales. Eu não deixei Cobija, estive trabalhando, vendo como podemos fazer para contribuir para ver como estas decisões desatinadas do Governo (...

EFE |

) não nos tragam maiores problemas", disse Fernández.

Ele destacou que a incursão militar desta madrugada não teve maiores conseqüências, como se temia, salvo incidentes isolados, e reconheceu que "não houve maiores abusos" dos militares.

O Governo acusa Fernández de ser o responsável pelo "massacre" contra camponeses em um conflito que terminou com pelo menos 30 mortos, embora só 17 tenham sido registrados formalmente, porque o resto dos corpos ainda não foi resgatado dos montes e do rio próximos à zona do conflito.

O opositor negou estas acusações e pediu que o Governo crie uma comissão que investigue essas mortes, a maioria registrada em um choque entre camponeses leais a Morales e grupos opositores.

"O Governo está mostrando ao mundo inteiro um genocídio, um massacre, e eu me pergunto por que então não formou uma comissão para fazer uma investigação que estabeleça responsabilidades e se punam culpados", disse Fernández.

Ele qualificou de "um filme" as afirmações do Governo de que a Prefeitura teria contratado sicários e narcotraficantes peruanos e brasileiros para atuar nos choques, mas reconheceu que há algumas pessoas armadas com as quais não tem ligação alguma.

Fernández anunciou que pediu hoje a representantes das Nações Unidas, da Defensoria pública e da Igreja que tentem uma mediação para que chegue a Cobija uma comissão de investigação, além de imprensa nacional e internacional.

Quintana anunciou sábado à noite que deterá Fernández sob a acusação de desacato ao estado de sítio e porque, em sua opinião, ele organizou os grupos que atacaram os camponeses na quinta-feira passada.

Fernández disse que, perante essa "bravata" e "amedrontamento", esperará Quintana em sua casa de Cobija, de onde não saiu "nem um só minuto" para ir ao Brasil, como afirmaram alguns veículos de comunicação e membros do Governo.

"Quero dizer (a Quintana) que estou em minha casa, não tenho segurança e que eu gostaria de esperá-lo. Não para enfrentá-lo, mas para que conversemos sobre o que realmente ocorreu", disse Fernández.

O governador de Pando ressaltou que o Executivo de Evo Morales age sempre com "uma lógica" que cria cenários de conflito, porque não está preparado para governar o país.

"Se não uma coisa é outra, dormem e acordam pensando em conflitos. Fez isso em todas as partes do país durante estes dois anos e meio de gestão", comentou o governador regional, que faz parte de um bloco opositor autonomista junto a líderes de Santa Cruz, Beni, Chuquisaca e Tarija. EFE ja/db

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