Washington, 30 jul (EFE).- O governador da Virgínia, Tim Kaine, está no centro das atenções nos Estados Unidos, perante os rumores de que pode se transformar no vice na chapa do candidato democrata à Presidência americana, Barack Obama, uma possibilidade que causa reações diversas.

O nome de Kaine está há tempo na lista de potenciais "vice-presidentes", mas não tinha ganhado força até esta semana, quando jornais como o "The Washington Post" revelaram que mantêm conversas "muito sérias" com a campanha de Obama.

As notícias originaram uma minuciosa apuração da figura de Kaine, o primeiro governador democrata que expressou apoio a Obama, em fevereiro do ano passado, pouco depois que o senador por Illinois anunciou sua decisão de concorrer pela Casa Branca.

Ambos têm uma visível simpatia pessoal, um fator-chave para Obama, que disse que o mais importante para ele na hora de escolher seu "companheiro" político é que haja química.

"Obama está em uma categoria completamente distinta à de qualquer pessoa com quem compartilhei um palco", disse um entusiasmado Kaine em janeiro.

"O público projeta suas esperanças nele de uma forma que é simplesmente incrível, incrível", acrescentou.

À química se une o fato de que os dois são formados na Universidade de Direito de Harvard, advogados interessados nos direitos civis e novatos na política americana: Kaine é só três anos mais velho que Obama (46 anos) e está apenas há dois anos e meio como governador.

Os analistas destacam, entre suas vantagens, a popularidade que tem entre os eleitores religiosos -é um devoto católico- e o que pode ajudar Obama a ganhar na Virgínia, que votou nos republicanos em 13 das últimas 14 eleições presidenciais.

Além disso, fala espanhol, um fator positivo em um ano eleitoral como este no qual o voto latino desponta como crucial, dada a elevada concentração de hispânicos em estados-chave como Flórida, Novo México, Colorado e Nevada.

Seu calcanhar de Aquiles é que, da mesma forma que Obama, tem pouca experiência em política internacional e nacional.

Larry Sabato, diretor do Centro de Política da Universidade da Virgínia, lembra que "não há uma maior ameaça para a vitória de Obama que sua falta de experiência".

"Os americanos têm dificuldades, pelo menos por enquanto, para ver Obama no papel de comandante-em-chefe (título que controla o presidente dos EUA)", diz Sabato no site RealClearPolitics.

Aí residiria a importância de escolher um vice-presidente com experiência internacional ou militar, o que, para Sabato, ajudaria a afugentar os temores sobre a pouca experiência de Obama.

Richard Parker, professor da Universidade de Harvard, explicou à Agência Efe que o senador de Indiana Evan Bayh ou o também senador Joe Biden poderiam ser um melhor companheiro de chapa, por terem a bagagem que falta a Obama.

Fred Greenstein, professor emérito da Universidade de Princeton, recomenda encarar com certo ceticismo o furor gerado pela possível escolha de Kaine.

"Obama, como qualquer outro candidato presidencial, utilizará o processo de seleção de um parceiro político para levar à luz nomes de personagens públicos aos quais quer agradar ao indicar que os considera competentes para ser vice-presidentes", disse Greenstein à Efe.

Em sua opinião, o candidato democrata adiará a decisão até pouco antes da convenção do partido realizada no final de agosto em Denver (Colorado).

Os analistas parecem coincidir em que o nome da senadora Hillary Clinton continuará sendo cogitado, mas que sua escolha não se concretizará, e recomendam acompanhar a governadora de Arkansas Kathleen Sebelius, que também aparece nas apostas. EFE tb/db

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