O governador do departamento (Estado) de Caquetá, na Colômbia, Luis Francisco Cuéllar, foi sequestrado na noite da segunda-feira. As autoridades colombianas atribuem o sequestro às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, ordenou às Forças Armadas que resgatassem o governador, e os militares deram início a uma operação por terra e ar para localizar o paradeiro de Cuéllar.

"É preciso fazer todo o esforço militar para o resgate. Não podemos continuar dependendo dos caprichos desses terroristas que banham este país de sangue e que todos os dias querem enganá-lo", afirmou o presidente em entrevista à rádio W.

Uribe disse que voltou a ordenar o resgate militar de todos os sequestrados que ainda estão em poder da guerrilha.

O governo colombiano ofereceu também uma recompensa de 1 bilhão de pesos (cerca de R$ 862 mil) "por qualquer informação que nos leve a captura desses narcoterroristas e a libertação do governador", afirmou o ministro de Defesa colombiano, Gabriel Silva.

Sequestro
De acordo com o secretário de governo de Caquetá, Edilberto Ramón Endo, Cuéllar já havia sido ameaçado pelas Farc e teria solicitado maior proteção policial ao governo.

Segundo autoridades locais, cerca de 15 homens armados, vestidos com o uniforme do Exército colombiano, detonaram uma granada no interior da casa de Cuéllar.

Logo depois, os autores do ataque teriam trocado tiros com seguranças e, nesse tiroteio, um policial teria morrido. Em seguida, o governador teria sido rendido e levado pelo grupo armado.

O sequestro do governador ocorre dias depois que as Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN) anunciaram uma aliança entre os grupos - que até agora combatiam entre si - para unir forças contra o Uribe e enfrentar as forças do governo.

A ação também ocorre em meio a um processo de negociação para a libertação de dois dos 24 militares que a guerrilha mantém em cativeiro há mais de dez anos.

Moeda de troca
As Farc costumam usar políticos sequestrados como moeda de troca, exigindo do governo que liberte guerrilheiros presos em troca dos reféns.

Se o grupo assumir a autoria do sequestro, isso pode indicar que o grupo está iniciando uma nova onda desse tipo de crime.

O último político refém das Farc, libertado em fevereiro, foi o ex-deputado colombiano Sigifredo López, sequestrado havia mais de seis anos.

As Farc mantêm uma importante presença militar em Caquetá, no sul da Colômbia - local onde o governo de Álvaro Uribe iniciou uma dura ofensiva contra a guerrilha.

Desde que assumiu o poder, em 2002, Uribe tem endurecido o combate às guerrilhas colombianas.

Com o apoio financeiro e militar dos Estados Unidos, a ofensiva do Exército resultou no assassinato de importantes líderes das Farc e na deserção de centenas de rebeldes.

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