Governador boliviano acusado de massacre é preso

LA PAZ - Militares bolivianos detiveram na terça-feira o governador do Departamento (Estado) de Pando, acusado de ser o mandante de um massacre de camponeses, no mesmo dia em que o presidente Evo Morales disse estar esperançoso de iniciar em breve um diálogo com a oposição.

Reuters |

Leopoldo Fernández, governador de Pando (fronteira com Acre e Rondônia), foi detido em uma operação militar em seu gabinete, em Cobija (capital).

"A detenção do prefeito [governador] de Pando obedece a uma determinação legal; as Forças Armadas estão cumprindo seu papel legal no marco do estado de sítio", disse Morales a jornalistas, um dia após receber o apoio de outros governos da América do Sul contra o que qualificou de " tentativa de golpe civil ".

O secretário do governo de Santa Cruz, Carlos Dabdoub, denunciou o fato como uma ruptura unilateral do diálogo com o governo.

"Expressamos nosso desalento e tristeza por esta ruptura unilateral de Evo Morales", afirmou Dadboub, referindo-se às negociações mantidas pelo governo e a oposição em La Paz.

Na sexta-feira, o La Paz decretou estado de sítio em Pando e ordenou a prisão do governador, acusando-o de ter contratado pistoleiros para emboscar uma caravana de camponeses que se dirigia a uma assembléia de apoio ao governo.

O incidente, a cerca de 30 quilômetros de Cobija, deixou 15 mortos, 37 feridos e 106 desaparecidos.

Crise na Bolívia

Quatro departamentos bolivianos governados pela oposição (Pando, Beni, Santa Cruz e Tarija) vivem há quase um mês violentos protestos contra a nova Constituição que Morales pretende aprovar para aumentar a participação do Estado na economia, dar mais poderes à maioria indígena e promover uma reforma agrária.


Mapa político da Bolívia

Apesar da tensão, o governo mantém um diálogo com a oposição , representada pelo governador de Tarija (sul), Mario Cossio. Na terça-feira, Morales reiterou a tese de que a nova Constituição não é incompatível com a autonomia que os departamentos oposicionistas reivindicam.

'Esperamos ao longo do dia de hoje chegar a um acordo em torno desses pontos levantados até agora. Esse acordo pode servir de base para continuar conversando', disse Morales, primeiro indígena a governar a Bolívia.

Os participantes do processo deixaram a sessão da madrugada de terça-feira dizendo que o acordo só dependia do aval de Morales. 'Temos quase fechado o documento, faltam só detalhes políticos que queríamos conversar com o presidente', disse Cossio.

O procurador-geral Mario Uribe, disse que não emitiu a ordem de prisão contra o governador Fernández, mas que abriu um processo por genocídio contra ele --embora tenha admitido que o governo terá dificuldades jurídicas em levar a cabo tal processo.

'Os militares disseram ao governador que não tinham mandado de apreensão, mas que iam levá-lo mesmo assim, e o levaram', disse por telefone o senador oposicionista Paulo Bravo à rádio Erbol, dizendo ter sido testemunha da prisão.

O ministro da Defesa Legal, Héctor Arce, afirmou a jornalistas que Fernández pode ser condenado a 30 anos de prisão pelo massacre de camponeses.

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