Por Thomas Ferraro WASHINGTON (Reuters) - Tradicionalmente ironizado como sendo um político chato -- mas também reconhecido internacionalmente como um defensor da Terra, Al Gore deve ser um dos protagonistas da Convenção Nacional Democrata de agosto nos EUA.

Oito anos depois de perder a eleição presidencial mais acirrada da história, Gore, vencedor do Nobel da Paz por sua cruzada contra o aquecimento global, está em ascensão entre os militantes do partido.

Embora a direção democrata ainda não tenha anunciado a lista de oradores, o nome do ex-vice-presidente já aparece entre os mais cotados para discursar no evento de Denver, de 25 a 28 de agosto, segundo fontes internas.

'Ele vai receber uma tremenda recepção', disse o senador Tom Harkin, delegado na convenção.

'Muitos de nós ainda sentimos que ele foi roubado', afirmou Harkin, referindo-se à eleição de 2000, vencida por George W.

Bush graças a poucas centenas de votos duvidosos na Flórida.

'Se ele fosse presidente, não teríamos tido essas confusões [do governo Bush] nos últimos oito anos', disse.

'Também admiramos sua tenacidade em proteger o meio ambiente. Muitos compartilhamos da sua visão sobre o que é preciso ser feito', acrescentou.

Percorrendo o mundo para alertar contra o aquecimento global, Gore, de 60 anos, costuma atrair multidões e ser tratado como astro pop por seus jovens simpatizantes.

Em 17 de julho, em Washington, mais de 4.000 pessoas lotaram o Constitution Hall para ouvi-lo. Os ingressos, gratuitos, se esgotaram em menos de 24 horas após a confirmação do evento.

'Ele é carismático, é um orador forte, tem uma presença que atrai', disse na platéia o universitário George Chipev, 20 anos, citando atributos que até simpatizantes costumam dizer que faltaram na candidatura de Gore à Casa Branca.

'Al Gore é uma das poucas figuras públicas desafiando minha geração a fazer alguma coisa. Ele é inspirador', completou outra universitária, Beth Camphouse, 21 anos.

Além de ter recebido o Nobel da Paz de 2007 por seu empenho climático, Gore também recebeu o Oscar de melhor documentário no ano passado por causa do seu filme 'Uma Verdade Inconveniente', que trata da questão climática. Em 2006, ele foi um dos fundadores da ONG Aliança para a Proteção do Clima.

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