Gordon Brown faz visita surpresa rápida a Cabul antes de ir para Pequim

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, fez uma breve visita surpresa a Cabul nesta quinta-feira e embarcou em seguida para Pequim, onde deve assistir a várias provas e à cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos, prometendo falar sobre direitos humanos com dirigentes chinesas.

AFP |

Gordon Brown foi ver os soldados britânicos que estão no sul do Afeganistão, antes de reafirmar o apoio "decidido" da Grã-Bretanha, ao final de um encontro com o presidente Hamid Karzaï.

O premier britânico visitou Camp Bastion, na província de Helmand, um lugar forte dos talibãs no sul, onde estão mobilizados cerca de 8.000 soldados britânicos.

"Vocês sabem que vocês estão na primeira linha do combate contra os talibãs, e o que vocês estão cumprindo aqui pode evitar a ação de terroristas nas ruas das cidades a Grã-Bretanha", declarou a 300 soldados britânicos e afegãos.

"Vocês estão lutando para um Afeganistão livre de terroristas, mais também por um Afeganistão democrático onde o povo pode falar", afirmou.

Gordon Brown, cada vez mais impopular na Grã-Bretanha, chegou ao Afeganistão um dia depois da visita relâmpago do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que prestou homenagem a dez soldados franceses da Força Internacional de assistência à segurança (Isaf) da Otan, mortos numa emboscada dos talibãs a menos de 60 km de Cabul.

Terça-feira, o primeiro-ministro britânico reconheceu o "sacrifício" dos dez soldados franceses, que foram ajudar o povo afegão a construir um futuro melhor e um mundo mais estável e a determinação de Nicolas Sarkozy "de manter as tropas apesar destas vítimas".

Gordon Brown tentou minimizar a ameaça de uma ressurgência talibã, garantindo que os comandantes das forças aliadas no Afeganistão previram uma ofensiva no verão.

Este é o atentado mais sangrento para o exército francês desde um atentado em 1983 em Beirute que matou 58 pára-quedistas.

Cerca de 116 soldados britânicos morreram no Afeganistão desde à queda do regime dos talibãs pela coalizão internacional liderada pelos EUA no fim de 2001.

A violência dobrou no país em dois anos, apesar da presença de 70.000 soldados das forças multinacionais, uma da Otan, outra sob comando americano (Operation Enduring Freedom).

Gordon Brown foi em seguida para Cabul onde encontrou no início da tarde o presidente afegão, Hamid Karzaï, antes de lembrar que a Grã-Bretanha está completamente decidida a dar apoio ao Afeganistão, numa entrevista à imprensa.

O premier anunciou um aumento da contribuição britânica ao desenvolvimento do Afeganistão, no valor de 120 milhões de dólares, assim como à formação e ao treinamento das forças de segurança afgãs.

"Não pouparemos esforços para apoiar a reconstrução no Afeganistão, porque sabemos o que acontece no Afeganistão afeta o resto do mundo", afirmou.

A cidade de Londres organiza os próximos Jogos, em 2012, e na cerimônia de encerramento, a bandeira olímpica será oficialmente entregue aos representantes da capital britânica.

Diante das críticas ao poder chinês das organizações dos direitos humanos e das revelações nesta quinta-feira do jornal francês Le Monde, citando o Dalai Lama, chefe espiritual dos tibetanos segundo o qual as forças de segurança chinesas abriram fogo contra manifestantes esta semana no leste do Tibet, matando até 140 pessoas.

O responsável dos liberais democratas, o terceiro partido britânico, destacou esta questão em carta enviada a Gordon Brown, pouco antes de sua partida.

O premier respondeu-lhe dizendo que apoiar a volta da China à comunidade internacional "é claramente do interesse nacional britânico".

Ele prometeu ainda falar sobre a questão dos direitos humanos com dirigentes chineses durante sua visita. O apoio aos Jogos Olímpicos "não deve estar associado aos direitos humanos", segundo ele.

"Quando for a Pequim, direi de forma muito clara ao presidente Hu e ao primeiro-ministro Wen que o respeito dos direitos do homem, é muito importante para o dia-a-dia, não somente no ano dos Jogos Olímpicos", escreveu.

kah/lm

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