Gordon Brown completa um ano de Governo em meio à crise trabalhista

Joaquín Rábago Londres, 27 jun (EFE).- Com uma nova derrota trabalhista nas eleições parciais, e uma pesquisa de intenções de voto que mostra a ala governista 18 pontos abaixo do Partido Conservador, o primeiro aniversário da chegada de Gordon Brown ao Governo do Reino Unido não poderia ser mais pavoroso.

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Embora esperada, a derrota do partido governista nas eleições realizadas em Henley-on-Thames para a ocupação da cadeira deixada pelo conservador Boris Johnson - que assumiu a Prefeitura de Londres - representa mais uma humilhação para Brown, que viu seu partido cair para a quinta posição na preferência dos eleitores.

Com apenas 1.066 votos, frente aos 19.796 obtidos pelo candidato conservador, os trabalhistas foram superados não só pelos liberal-democratas, que conseguiram 9.680, mas também pelos Verdes e pelo Partido Nacional Britânico (BNP), de ultradireita.

Esta derrota se soma às sofridas nas recentes eleições de Crew e Nantwich, velhos redutos trabalhistas, e nas eleições locais parciais da Inglaterra e do País de Gales.

Sem mostrar abatimento, Brown tomou café da manhã hoje ao mesmo tempo em que via o resultado de uma pesquisa publicada no jornal "Daily Telegraph", que mostra que, há um ano, 62% dos cidadãos achavam que os trabalhistas ganhariam as próximas eleições legislativas do Reino Unido e só 18% confiavam nos "tories" (conservadores).

Agora, no entanto, a situação se inverteu: 67% apostam nos "tories" e 16% continuam acreditando nos trabalhistas.

Gordon Brown, o escocês repleto de patriotismo britânico e a quem muitos viam como o único dirigente capaz de tirar o partido do descrédito no qual seu antecessor Tony Blair o havia posto com a Guerra do Iraque, não foi tão eficiente quanto seus partidários esperavam.

Após alguns sucessos iniciais, na gestão dos fracassados atentados terroristas de Londres e Glasgow, e o modo decidido como encarou as inundações e o surto de febre aftosa, o primeiro-ministro foi de erro em erro até o ponto em que perdeu sua reputação de bom gerente econômico.

A crise do banco Northern Rock o mostrou como um líder sem firmeza, e algumas decisões, como a de abolir a taxa tributária mais baixa na declaração dos impostos - que havia favorecido os mais pobres -, o marcaram como um político frio e alheio aos problemas cotidianos do povo e daqueles com os quais um trabalhista deveria se preocupar.

Sua imagem de artífice do maior período de estabilidade conhecido pelo Reino Unido desmoronou rapidamente, levando muitas pessoas a suspeitar de que tudo tinha a ver com o longo período de tranqüilidade da economia mundial, que chegou ao fim.

Sem o carisma de Blair e também sem sua ousadia, como demonstrou no passado ao voltar atrás em sua decisão de convocar eleições gerais adiantadas, no último momento e diante dos ministros, Gordon Brown ostenta hoje uma imagem de perdedor.

Os dados da pesquisa publicada hoje pelo jornal "The Daily Telegraph" não podem ser mais convincentes. Isso explica o porquê de, há um ano, 48% dos cidadãos perguntados sobre se Brown era bom para o partido terem respondido de maneira afirmativa, e hoje, apenas 21% pensarem assim.

O índice de satisfação com o trabalho do primeiro-ministro caiu de 44%, em setembro passado, para 14% na última pesquisa. Nem o último líder conservador, o também pouco carismático John Major, havia caído tanto nas pesquisas. EFE jr/gs

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