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Gorbachov diz que EUA e aliados europeus querem isolar Rússia

Jesús García Becerril. Madri, 8 set (EFE).- O último presidente da extinta União Soviética, Mikhail Gorbachov, afirmou que os Estados Unidos e alguns aliados europeus querem isolar a Rússia, e alertou sobre o perigo de um retorno aos jogos de geopolítica do passado.

EFE |

Gorbachov está na Espanha para participar amanhã da Exposição Internacional de Zaragoza e defendeu hoje, em entrevista à Agência Efe, a gestão dos líderes russos, além de criticar as intenções de domínio de alguns países ocidentais, expostas em casos como o da Geórgia, no qual "a Rússia foi erroneamente apresentada como agressora".

Gorbachov discorda dos que atribuem à dupla formada pelo presidente Dimitri Medvedev, e o primeiro-ministro, Vladimir Putin, o desejo de criar uma "grande Rússia", e diz que o Governo russo "não quer ser líder" mundial, atitude que vê, sim, em outro país ocidental, em clara alusão aos Estados Unidos.

"Somos um país auto-suficiente. Temos território, energia, ciência, ensino, recursos, tecnologia. Poderíamos alimentar 800 milhões de pessoas", diz Gorbachov, que elogia o trabalho de Putin, em comparação com o período de Yeltsin (1991-2000), quando "o estado da população era o de pobreza".

Por isso, é otimista quando afirma que a Rússia "ressurgirá" e acrescenta que o país "assume seus compromissos internacionais e não pratica jogos ilegais".

O ex-líder soviético compartilha a opinião dos que pensam que os EUA querem enfraquecer e isolar a Rússia com iniciativas como a eventual adesão de Ucrânia e Geórgia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

"Para quê a Otan quer esses dois países? Para lutar contra o Irã? É ridículo", protestou Gorbachov, que vê no recente conflito da Rússia com a Geórgia um caso exemplar dessa atitude ocidental de "punir erroneamente".

Para ele, a intervenção militar da Geórgia na Ossétia do Sul foi "uma loucura. A destruição de cidades, o ataque a pessoas indefesas com armas sofisticadas. Mas a imprensa não protesta e apresenta a Rússia como agressora", devido à entrada posterior de forças enviadas por Moscou para expulsar as georgianas.

Sobre a Ucrânia, lembra que sua própria mãe era desse território, o qual fez parte durante muito tempo do Império Russo e depois da URSS, acrescenta.

"Desejo êxito e força a eles, mas acredito que não entrarão na Otan", afirma o ex-líder soviético, que também espera que ninguém introduza mais fatores de divisão entre Ucrânia e Rússia.

Gorbachov lembrou que nos anos 80 havia cooperação internacional para reduzir o armamento nuclear e biológico, atitude que faz falta agora.

Assim, destacou que nos EUA "há pessoas que estimulam o conflito e querem ampliar a Otan para ganhar mais dinheiro com a produção de armas".

Após ignorar a pergunta sobre se sente nostalgia de sua época de líder soviético, Gorbachov lembrou que a possibilidade de assinar um novo Tratado da União das repúblicas foi abortada pelas forças conservadoras, opostas à "perestroika" (reestruturação), que organizaram o golpe de Estado e levaram à desagregação da URSS.

"Lamento. Foi muito negativo que a URSS tenha caído. Não exagero", afirma Gorbachov, para quem as idéias socialistas "ainda estão vivas" na atualidade, embora mais na Europa do que na Rússia.

O ex-líder se mostrou irônico quando lembrou que após a queda da URSS "foi imposto o liberalismo econômico de acordo às idéias de Washington, mas hoje sabemos que o presidente George W. Bush interveio nas entidades hipotecárias" Freddie Mac e Fannie Mae diante da crise financeira: "é um passo socialista", afirmou. EFE jgb/ev/plc

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