Goodluck Jonathan assume presidência da Nigéria após morte de Umaru Yar'Adua

Lagos, 6 mai (EFE).- Goodluck Jonathan, um cristão do sul da Nigéria, assume hoje o cargo de presidente do país e entra no lugar de Umaru Yar'Adua, um muçulmano do norte que morreu ontem à noite em Abuja.

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Lagos, 6 mai (EFE).- Goodluck Jonathan, um cristão do sul da Nigéria, assume hoje o cargo de presidente do país e entra no lugar de Umaru Yar'Adua, um muçulmano do norte que morreu ontem à noite em Abuja. Jonathan também se torna automaticamente comandante-em-chefe da Forças Armadas do país mais povoado da África - a Nigéria tem 150 milhões de habitantes. O novo presidente nasceu no dia 20 de novembro de 1957 em Otueke, no estado petroleiro Bayelsa, na região do Delta do Níger e pertence a etnia ijaw. Ele se formou em ciências, com especialização em zoologia e, posteriormente, realizou um mestrado em biologia marinha e pesca e um doutorado em zoologia na Universidade de Port Harcourt, na principal cidade do Delta do Níger. Jonathan trabalhou como inspetor de educação, leitor e funcionário do serviço de proteção ambiental até começar a atuar na política em 1998. A meteórica ascensão de Jonathan chegou ao ápice hoje, quando ele assumiu os cargos de presidente e comandante-em-chefe das Forças Armadas na Residência Presidencial de Abuja. Comentaristas nigerianos dizem que "a sorte política de Jonathan vem do seu nome: Goodluck (boa sorte, em inglês)". Em 1999, após haver ter sido eleito vice-governador de Bayelsa, ele assumiu como governador de seu estado natal depois que seu antecessor, Diepreye Alamieyeseigha, foi cassado por corrupção. De governador Jonathan passou a candidato à Vice-Presidência junto com Yar'Adua pelo Partido Popular Democrático (PDP) nas eleições de 2006. Yar'Adua assumiu no dia 29 de maio de 2007 e Jonathan o acompanhou como vice-presidente, em um Governo com dois desafios principais: acabar com a violência na região petrolífera do sul e lutar contra a corrupção. Aos poucos, Yar'Adua começou a apresentar problemas de saúde, mas se manteve firme. Em 2009 propôs uma anistia e conseguiu fazer com que uma grande parte dos grupos do Delta do Níger depusessem suas armas, o que acalmou a região consideravelmente permitindo recuperar a produção petrolífera, base da receita da Nigéria. Embora a medida tenha acabado com a violência política no Delta do Níger, Yar'Adua deixou Jonathan com o problema dos sequestros na região petrolífera e o conflito entre grupos muçulmanos e cristãos no centro do país. Yar'Adua sofria de problemas renais, e teve que ser levado para a Arábia Saudita em novembro para tratar de uma grave dor no peito e, desde então, não voltou a aparecer em público. No entanto, devido a disputas legais e políticas, até o dia 9 de março Jonathan ainda não havia sido investido pelo Parlamento como presidente interino. Antes disso, no dia 24 de fevereiro, Yar'Adua retornou a Abuja, onde ficou isolado em uma unidade médica especial na Residência Presidencial, morrendo ontem à noite. No período em que Yar'Adua permaneceu incomunicável, as tensões políticas no país, onde diversos grupos de influência tratam de melhorar suas posições, dispararam dado o vazio de poder deixado pelo presidente. Após o juramento presidencial Jonathan, casado e pai de dois filhos, manifestou sua "profunda sensação de perda e tristeza" pela morte de Yar'Adua. Ele deve governar o país até 2011, quando serão realizadas novas eleições. Sobre seu mandato, assegurou que manterá "um compromisso total com a boa governança, a reforma eleitoral e a luta contra a corrupção". No político, o novo governante enfrenta a uma das tradições não escritas da política nigeriana: a alternância de presidentes muçulmanos e cristãos no cargo. Como Yar'Adua era muçulmano, nas próximas eleições seria a vez de um presidente cristão assumir, mas com Jonathan no cargo muitos consideram que o revezamento já foi feito e pedem outro muçulmano. EFE dá/pb

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