Golpistas realizam reuniões em busca de legitimidade na Guiné

Dacar, 27 dez (EFE).- Após o enterro do presidente Lansana Conté, a junta militar que assumiu o poder na Guiné busca sua legitimidade tanto no âmbito nacional quanto internacional através de uma série de reuniões que ocorreram hoje no quartel Alpha Yaya Diallo.

EFE |

As emissoras de rádio regionais captadas em Dacar informaram que a junta, liderada pelo capitão Moussa Dadis Camara, pretende justificar o golpe de Estado cometido horas após o anúncio da morte de Conté, que dirigiu de forma autoritária o país durante 24 anos.

As autoridades do Executivo anterior, entre elas o ex-presidente da Assembléia Nacional, Aboubacar Somparé, que deveria ter assumido a Presidência interina durante dois meses para organizar as eleições presidenciais, compareceram à primeira reunião convocada pelos militares, às 8h (de Brasília).

Os dirigentes dos principais partidos políticos, os líderes sindicais e várias personalidades religiosas também estiveram presentes na reunião.

Após fazer um minuto de silêncio em memória de Conté, Camara se dirigiu aos presentes para explicar as razões que levaram os membros do Exército a fazer o golpe de Estado, devido "à irresponsabilidade e à incapacidade" do Governo e do Parlamento.

Camara, que denunciou a corrupção e a falta de credibilidade das instituições estatais, esclareceu que pretende devolver o poder aos civis após a realização de eleições "livres, críveis e transparentes", e depois de restabelecer a confiança do povo e fazer as reformas necessárias.

O capitão afirma ter como modelo a seguir Amadou Toumani Touré, o atual presidente de Mali, autor do golpe de Estado de 1991 que pôs fim ao regime de Moussa Traoré.

Touré, que prometeu devolver o poder à população de Mali, cumpriu sua promessa, ao contrário de "outros militares, que se esqueceram de seu compromisso".

Após a reunião, a junta se reuniu com os representantes de organizações e países que condenaram o golpe de Estado: a União Africana (UA), a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), a União Européia (UE), a ONU, e os embaixadores do Grupo dos Oito (G8) e da Rússia.

Estas instituições, junto com os líderes dos partidos da oposição, exigiram a convocação de eleições no próximo ano.

Por outra parte, os golpistas contam com o apoio do presidente senegalês, Abdoulaye Wade, que pediu a compreensão da comunidade internacional, e solicitou que as nações vizinhas da Guiné não façam qualquer intervenção.

"Os militares tomaram o poder para evitar acertos de contas e para proteger a família de Lansana Conté", disse Wade. A atitude do presidente do Senegal, refletida no jornal "Le Quotidien", com a manchete "Wade, padrinho da junta guineana", foi duramente criticada pela população de seu país. EFE st/db

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