Os militares que protagonizam um golpe de Estado na Guiné pediram nesta terça-feira aos membros do governo e aos oficiais de alta patente que compareçam ao acampamento militar do país, na capital Conakry, para ter garantida sua segurança.

"Ante a declaração de tomada efetiva do poder pelo CNDD (Conselho Nacional para a Democracia e o Desenvolvimento, que reuniu os golpistas), pede-se aos membros do governo e a todos os oficiais generais que compareçam ao acampamento militar Alfa Yaya Diallo para garantir sua segurança", segundo um comunicado.

"A CNDD pede à tranquila população de Conakry e do interior do país que fique em casa e evite atos de vandalismo e saques. As reuniões estão formalmente proibidas", acrescentaram os golpistas em uma série de comunicados lidos na rádio nacional.

"A CNDD, fiel a seus compromissos contidos no primeiro comunicado, reafirma sua adesão às cartas da União Africana, da CEDEAO (Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental, 15 países) e da ONU", segundo o texto.

Um capitão do Exército da Guiné anunciou na manhã desta terça-feira na rádio estatal a dissolução do governo e das instituições republicanas, além da suspensão da Constituição, poucas horas depois do anúncio da morte do general presidente Lansana Conté, que estava no poder desde 1984.

"A partir de hoje está suspensa a Constituição, assim como toda atividade política e sindical", declarou o capitão Musa Dadis Camara.

"O governo e as instituições republicanas foram dissolvidos", acrescentou, antes de afirmar que será formado um "conselho consultivo" integrado "por civis e militares".

"As instituições republicanas se caracterizaram por sua incapacidade de envolver-se na solução das crises que deixam a população guineana em um desespero profundo", disse o oficial, antes de ressaltar a necessidade de recuperação da economia e combater a corrupção.

A União Africana (UA) anunciou que acompanha com preocupação a situação na Guiné, segundo o comissário de Paz e Segurança da organização, Ramtan Lamamra.

Mais cedo, o primeiro-ministro guineano Ahmed Tidiane Souaré anunciara um luto nacional de 40 dias pela morte do presidente Lansana Conté.

O presidente, que governava a Guiné há 24 anos, morreu na noite de segunda-feira, aos 74 anos, informou o presidente da Assembléia Nacional, Aboubacar Somparé, à TV estatal.

"Lamentamos anunciar ao povo da Guiné a morte do general Lansana Conté, em consequência de uma longa enfermidade, às 18H45" de segunda-feira, disse Somparé à TV.

O comunicado foi acompanhado por declarações do primeiro-ministro, Ahmed Tidiane, e do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Diarra Camara.

Somparé solicitou ao presidente da Suprema Corte que declarasse oficialmente a vacância e aplicasse a Constituição.

Pela Constituição guineana, o presidente da Assembléia Nacional deveria assumir a direção do país, provisoriamente, até a realização de eleições presidenciais, no prazo de 60 dias.

Lansana Conté, um militar de carreira, chegou ao poder em um golpe de Estado no dia 3 de abril de 1984, uma semana após a morte do presidente Ahmed Sékou Touré.

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