Golpista não cede e convida EUA a verificar situação em Honduras

Tegucigalpa, 20 jul (EFE).- O presidente em exercício de Honduras, Roberto Micheletti, reiterou hoje sua posição indeclinável de não aceitar o retorno do deposto Manuel Zelaya e convidou os Estados Unidos a verificar a situação no país, imerso em uma profunda crise política há mais de três semanas.

EFE |

Organizações sociais classificaram hoje de processo "dilatório" o diálogo entre os representantes de Micheletti e Zelaya que terminou no domingo, na Costa Rica, sem uma solução para o conflito político.

"Minha posição é indeclinável, eu continuo na mesma postura em que estivemos", afirmou Micheletti em Tegucigalpa.

O líder golpista reiterou sua decisão de não permitir o retorno de Zelaya, o primeiro ponto de uma proposta apresentada a ambas as partes pelo presidente da Costa Rica e mediador nas negociações, Oscar Arias.

Após o fracasso do diálogo, Arias pediu o prazo de 72 horas para tentar convencer o novo líder a ceder.

"Estamos fazendo esforços para que o diálogo termine em uma coisa positiva, sem o retorno daquele que rompeu a Constituição da República, não só uma, mas várias vezes", disse o presidente em referência a Zelaya.

Micheletti revelou que dialogou com a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, a quem pediu que envie um emissário que verifique a situação em Honduras.

"Quando eu falava ontem com a senhora secretária de Estado, dona Hillary Clinton, dizia que, por favor, envie alguém de confiança, alguém com quem ela possa ter um diálogo verdadeiro, e que diga se é certo que neste país há mortos a todo momento", explicou Micheletti.

Nessa segunda-feira, o vice-ministro da Defesa de Honduras, Gabo Khalil, disse à Agência Efe que as relações militares e protocolos de segurança com Washington "se mantêm firmes".

A vice-chanceler de Micheletti, Marta Lorena Alvarado, revelou, por outro lado, as gestões internacionais empreendidas pelo novo Governo, e assinalou que esperam concretizar uma visita ao Parlamento Europeu e que a ajuda ao país seja mantida.

"Confiamos que a Comunidade Econômica Europeia mantenha sua decisão de nos ajudar para que haja eleições livres, com financiamento e observadores internacionais", assegurou, ao aludir às eleições gerais convocadas para o próximo dia 29 de novembro.

A comissária de Assuntos Exteriores da União Europeia, Benita Ferrero-Waldner, confirmou hoje que tomou a "difícil decisão" de congelar o envio de 65,5 milhões de euros em ajuda orçamentária ao Governo hondurenho e insistiu que o bloco apoia todos os esforços para que "não haja violência" no país centro-americano.

Enquanto isso, seguidores de Zelaya se concentraram diante da sede do Parlamento em Tegucigalpa para exigir, como há 23 dias, o retorno do líder deposto, e criticar o diálogo conduzido por Arias e a pedido de Washington.

"Desde que nomearam o mediador, dissemos que era um processo dilatório por parte dos EUA, que só serviria para buscar consolidar os golpistas. Também dissemos que os mesmos golpistas fariam fracassar como parte desse processo de demora", disse à Efe o dirigente popular Carlos Reyes.

Segundo ele, a agenda do movimento a favor de Zelaya "não depende do que acontece na Costa Rica", mas da restituição dele para "a ordem institucional do país ser retomada".

Em comunicado, a Frente Nacional contra o golpe de Estado questionou "a posição intransigente" da comissão nomeada por Micheletti, e advertiu que "torna impossível uma solução bem-sucedida em San José". EFE lb/rr

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