A General Motors e o tesouro americano decidiram melhorar sua oferta aos detentores de títulos da dívida da montadora americana, como parte de um acordo de reestruturação da empresa. Atualmente estão nas mãos de credores US$ 27 bilhões em títulos da dívida da montadora.

A GM já tinha oferecido a eles 10% das ações da empresa reestruturada, mas a oferta foi rejeitada na terça-feira pelos credores. A nova proposta prevê que, além desses 10%, eles possam adquirir até 15% das ações da empresa.

Em troca, os credores se comprometeriam em apoiar as mudanças na montadora.

A GM diz que já obteve o apoio de 20% dos detentores de títulos para a nova oferta.

De acordo com a atual proposta de reestruturação, o governo americano passará a controlar 72,5% da empresa.

O governo deu à GM até o dia 1º de junho, segunda-feira, para restruturar sua dívida ou entrar com pedido de concordata.

Opel
Na Europa, depois de uma noite inteira de negociações, o governo da Alemanha, a GM e o tesouro americano não conseguiram chegar a um acordo para a venda da Opel, a principal subsidiária europeia da montadora americana.

Autoridades alemãs afirmam que o atraso na revelação de que a Opel precisaria de mais um financiamento de curto prazo de mais 300 milhões euros seria um dos motivos do adiamento da decisão.

O ministro da Economia alemão, Karl-Theodor zu Guttenberg, criticou este último pedido por mais dinheiro.

"Novamente a GM nos confrontou com novos números", afirmou, acrescentando que as táticas da companhia são "escandalosas".

Guttenberg também criticou o nível de envolvimento do Departamento do Tesouro americano nas negociações, descrevendo-o como "marginal, para ser educado".

A GM deve decidir quem deve comprar sua divisão europeia, mas o governo da Alemanha está sendo visto como uma grande influência no processo devido à sua significativa assistência financeira para o eventual vencedor do processo.

Um dos interessados na compra, a companhia de investimentos americana Ripplewood Holdings, se retirou da disputa, deixando apenas a italiana Fiat e a Magna, do Canadá.

A indústria chinesa Beijing Automotive Industry Corp (BAIC) também demonstrou interesse na última hora, mas autoridades alemãs afirmaram que estão concentradas na Fiat e na Magna. A empresa escolhida só deverá ser anunciada na próxima quarta-feira.

Ameaça
O governo da Alemanha espera receber mais informações necessárias para a conclusão das negociações até sexta-feira, quando a reunião será retomada em Berlim.

Entretanto existem prazos curtos a serem cumpridos para a venda da GM Europa, como parte vital dos planos de reorganização da General Motors.

O governo alemão está preocupado com possíveis demissões, especialmente pelo país estar em ano de eleição. E metade dos 50 mil funcionários da GM na Europa estão baseados na Alemanha.

O governo alemão está tentando estabelecer uma companhia holding, na qual injetaria 1,5 bilhão de euros para manter as operações da GM até a próxima eleição alemã, segundo Simon Dorris, da companhia de consultoria Landsdowne.

O governo alemão então poderia tentar um programa completo de restruturação da companhia, que envolveria garantia de empréstimos de 7 bilhões de euros.

Se o acordo não for fechado, a GM Europa (que inclui, além da Opel, outras marcas da GM na Europa, como a britânica Vauxhall) será envolvida no processo administrativo da GM, se a companhia americana entrar com pedido de concordata, o que pode ocorrer antes mesmo do fim do prazo de 1º de junho, dado pelo governo americano.

Mas há a preocupação em outros países, que têm fábricas da GM. O governo belga, por exemplo, temendo pelo futuro da fábrica da Opel em Antuérpia, pediu mais poder de decisão na escolha de um candidato para a compra da Opel.

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