GM, Ford e Chrysler pedem socorro ao Congresso

Os presidentes das três grandes montadoras de Detroit trataram de convencer os congressistas americanos nesta terça-feira a duplicar a ajuda à indústria automobilística, após a aprovação de uma verba de 25 bilhões de dólares, em setembro, que ainda não foi distribuída.

AFP |

Alan Mullaly (Ford), Robert Nardelli (Chrysler) e Richard Wagoner (General Motors) compareceram ao Comitê Bancário do Senado para afirmar que precisam de mais 25 bilhões de dólares para evitar a falência.

Os três destacaram a interdependência das montadoras e dos fornecedores de autopeças para tratar de convencer os legisladores.

O presidente da Chrysler disse que sem uma ajuda "imediata" do governo federal, o grupo não terá um nível de liqüidez suficiente para prosseguir com suas funções normais.

"Se não houver um apoio financeiro imediato, a liquidez da Chrysler poderá cair abaixo do nível exigido para poder garantir nossas atividades normais".

Isto coloca em risco cerca de 56 mil empregos da Chrysler, 20 bilhões de dólares em cobertura médica a cargo do grupo e 35 bilhões de dólares pagos anualmente aos fornecedores, disse Nardelli.

O presidente da Ford advertiu para o efeito dominó, com conseqüências consideráveis no emprego, no caso de falência de uma das grandes montadoras.

"A quebra de um dos nossos concorrentes teria um efeito devastador em todas as montadoras e concessionárias", alertou Mulally, citando um estudo realizado pelo instituto CAR.

Até três milhões de empregos poderiam ser afetados (...) e tal falência significaria "uma perda anual de 150 bilhões de dólares em termos de salários, e de 60 bilhões de dólares em termos de impostos".

"Nossa indústria é muito interdependente, particularmente para nossos fornecedores (...) A Ford sentiria os efeitos da falência de uma das montadoras nacionais em poucos dias, talvez até em poucas horas", alertou.

Mulally lembrou que o setor automobilístico representa cerca de 4,5 milhões de empregos diretos e indiretos nos Estados Unidos. "Peço a vocês que considerem nossa demanda não como procedente de empresas separadas, mas como procedente de uma indústria e de uma economia no sentido mais amplo do termo".

Wagoner, da GM, afirmou que os problemas de sua empresa não são resultado de um modelo equivocado, como assinalaram alguns legisladores, mas sim de uma "crise financeira global, que restringiu severamente o crédito e reduziu as vendas ao menor nível per capita desde a II Guerra Mundial".

O presidente do Comitê, o democrata Chris Dodd, disse que não conhece "um só republicano disposto a apoiar" mais verbas para socorrer as montadoras.

O projeto de auxílio às montadoras, defendido pelos democratas, que querem utilizar parte dos 700 bilhões do pacote de socorro financeiro, enfrenta uma decidida oposição dos congressistas republicanos.

cel/LR

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