Gigantes da informática são acusadas de exploração laboral na China

Xangai (China), 19 fev (EFE).- IBM, Microsoft, Dell, Lenovo e Hewlett-Packard, cinco gigantes da informática, foram acusados pelo National Labor Committee (NCL), uma ONG americana, de produzir alguns componentes em uma fábrica no sul da China que submete seus funcionários a condições sub-humanas.

EFE |

Segundo matéria publicada hoje pelo jornal "Shanghai Daily", as cinco multinacionais se mostraram dispostas a colaborar com uma investigação sobre o tratamento recebido por funcionários da Meitai Plastics & Electronics, empresa que se dedica à produção de teclados e impressoras na província de Cantão.

Após a publicação do relatório da NLC, que se define como defensora dos direitos humanos e dos trabalhadores, as companhias afirmaram que nenhuma delas tem contato direto com a Meitai Plastics & Electronics, e que a fábrica pertence a alguns empresários taiuaneses terceirizados por um intermediário.

O relatório, que o NLC publica em seu site (www.nlcnet.org) sob o título de "Miséria de Alta Tecnologia na China", afirma que na fábrica trabalham 2 mil pessoas em turnos de 12 horas por dia durante sete dias por semana. Estes indivíduos recebem um salário de 4 iuanes (0,51 euro, US$ 0,64) por hora.

Os funcionários, na maior parte mulheres de 18 a 24 anos, não podem conversar, escutar música, levantar suas cabeças nem colocar as mãos nos bolsos durante seu horário de trabalho, e podem sair da fábrica, com permissão, apenas dois dias por mês.

Os 2 mil funcionários são incentivados com slogans como "se esforcem continuamente para conseguir a perfeição", "deseje a empresa tanto como a sua casa" e "vigie ativamente os outros", informa a investigação da NLC.

A fábrica, localizada em Dongguan (Cantão), atenta contra direitos humanos e dos trabalhadores, afirma a NLC, e também contra a legislação trabalhista chinesa, pois seus funcionários trabalham 80,5 horas por semana, incluídas 40,5 horas de trabalho forçado, 388% a mais que o permitido pela lei chinesa.

Sentados em bancos de madeira, pelas mãos dos funcionários da Meitai Plastics & Electronics passam 500 teclados a cada hora, nos quais têm que colocar uma peça a cada 1,1 segundo, uma operação que repetem 3.250 vezes por hora, diz o relatório.

Também afirma que além de sofrer um excesso de horas de trabalho, os funcionários carecem de plano de saúde e não têm direito a folga por doença ou por maternidade.

A coalizão reguladora americana Electric Industry Citizenship, composta por 30 companhias, entre as quais estão as acusadas, afirmou que iniciará uma auditoria para conhecer em primeira mão as condições reais nas quais se trabalha na Meitai Plastics & Electronics.

As cinco gigantes da informática não são as únicas que foram denunciadas pela NLC, que em seu site afirma ter "pressionado dezenas de companhias, como Gap, Wal-Mart e Walt Disney, a melhorarem as condições em suas linhas de produção e respeitarem os direitos humanos e dos trabalhadores". EFE jss/fal

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