Gianfranco Fini, eleito nesta quarta-feira presidente da Câmara dos Deputados da Itália, é um ex-neofascista que tenta esquecer seu controverso passado e passar uma imagem de político conservador confiável e possível sucessor do magnata das comunicações Silvio Berlusconi.

Fini, de 56 anos, conduziu a transformação da direita italiana, de partido neofascista e nostálgico de Benito Mussolini para uma formação conservadora européia com excelentes relações com Israel.

Como presidente da Aliança Nacional, formação surgida do partido neofascista Movimento Social Italiano, conduziu uma campanha junto com Berlusconi e seu novo e vitorioso partido Povo da Liberdade.

"É um líder com grande futuro apesar de atualmente se resignar a um papel de herdeiro de Berlusconi", escreveu, no início de abril, o jornal La Repubblica.

Elegante, sempre vestido de forma impecável, Fini tem sido um aliado fiel de Berlusconi apesar de quase romperem no ano passado.

Militante desde os 17 anos do neofascista MSI, foi o homem que conseguiu transformar seu partido, em 1993, em uma nova força da direita moderada, Aliança Nacional, com cinco ministros no segundo governo de Berlusconi (2001-2006).

Fini, considerado um dos políticos mais hábeis da península, se apresenta agora como o líder de uma "direita moderna", "democrática, nacional e social", que se reconciliou com os judeus, aceita Israel e deixou de elogiar Mussolini "como o estadista mais importante do século XX", como o definia na década de 80.

Recebido pela primeira vez pelas autoridades de Israel em dezembro e 2003, condenou nesta ocasião o fascismo como uma "página penosa" da história.

Chefe da diplomacia italiana de 2004 a 2006, durante o governo Berlusconi, e vice-primeiro-ministro do mesmo Executivo (2001-2006), Fini se divorciou de sua primeira esposa, com quem teve uma filha, e vive atualmente com uma jovem advogada e apresentadora de televisão, com que acaba de ter sua segunda filha.

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