Gestação e parto matam 500 mil mulheres por ano, diz Unicef

Por Stephanie Nebehay GENEBRA (Reuters) - Mais de meio milhão de mulheres morre por ano no mundo durante o parto e a gestação, frequentemente devido à falta de assistência obstétrica em caso de hemorragias, disse o Unicef (Fundo da ONU para a Infância) na sexta-feira.

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Apesar de alguns avanços modestos, especialmente na Ásia, a taxa de mortalidade materna continua teimosamente estável devido à falta de recursos financeiros e vontade política, segundo um relatório divulgado pela agência.

Em 2005, estima-se que tenham ocorrido 536 mil mortes maternais, sendo 99 por cento em países em desenvolvimento, e metade na África Subsaariana.

'Um dos gargalos críticos sempre foi o acesso a profissionais de saúde altamente qualificados, necessários para realizar o atendimento obstétrico de emergência, particularmente durante cesarianas', disse Peter Salama, diretor de saúde do Unicef, em entrevista coletiva.

Cerca de 50 milhões de partos no Terceiro Mundo, ou 40 por cento dos nascimentos mundiais, não têm ajuda de profissionais qualificados, segundo o estudo. As hemorragias causam uma em cada três mortes maternais na África e Ásia. Infecções, hipertensão, complicações pelo aborto, parto obstruído ou Aids são outras causas importantes.

Mortes por esses problemas em geral poderiam ser facilmente evitadas em hospitais que tivessem especialistas em tempo integral, mas as disparidades ainda são enormes.

'O risco de morte materna ao longo da vida num país em desenvolvimento como um todo é de 1 em 76, comparado com 1 em 8.000 no mundo industrializado', disse o Unicef.

O lugar mais perigoso do mundo para parir é o Níger, onde uma em cada sete mulheres morrerá durante a gravidez ou parto.

Em Serra Leoa, a proporção é ligeiramente melhor, 1 para 8.

Mas outros países pobres, como Sri Lanka e Moçambique, conseguiram reduzir as taxas de mortalidade materna, segundo o documento, que recomenda planejamento familiar, qualificação de parteiras e investimentos em cuidados obstétricos e pós-natais.

Atualmente, a redução é inferior a 1 por cento ao ano, e nesse ritmo o mundo vai descumprir uma das chamadas Metas de Desenvolvimento do Milênio, a de que até 2015 o número de mortes de gestantes e parturientes caia abaixo de 150 mil por ano, uma redução de 75 por cento em relação a 1990.

'A hora é esta. Sabemos exatamente o que fazer pela redução da mortalidade materna para que esta seja uma das próximas grandes questões na saúde global', disse Salama, segundo quem o mundo precisaria de investimentos adicionais de 10 bilhões de dólares por ano para combater a mortalidade materna e infantil.

O Unicef disse na semana passada que mais de 9 milhões de crianças morreram antes do seu quinto aniversário em 2007, uma ligeira redução em relação ao ano anterior, e que persiste uma enorme disparidade também nesse quesito entre países ricos e pobres.

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