A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, disse neste domingo na Geórgia que o país do Cáucaso está a caminho de se tornar membro da Otan, a aliança militar do Ocidente, apesar de a Rússia ter se mostrado contrária a que ex-países soviéticos, como a Geórgia, façam parte da organização. A Geórgia irá se tornar membro da Otan se quiser - e ela quer, disse a chanceler alemã, que mostrou solidariedade ao país em meio a uma invasão de tropas russas.

"Cada Estado livre e independente pode discutir com os membros da Otan quando pode se juntar à organização. Em dezembro nós teremos uma primeira avaliação da situação e estamos com o caminho livre na direção de uma adesão à Otan."
Merkel, entretanto, defendeu a decisão alemã, tomada em uma reunião da Otan em abril, de não aceitar a adoção de um cronograma para a entrada da Geórgia na organização.

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, criticou a decisão alemã, dizendo que ela tinha sido tomada para satisfazer os russos.

Gori
Merkel também cobrou a retirada de tropas russas da Geórgia, dizendo que isso não pode ser adiado.

Neste domingo, o presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, disse que os soldados russos começariam a sair na segunda-feira. Um acordo de paz firmado por russos e georgianos na semana passada prevê a retirada.

Saakashvili voltou a acusar neste domingo a Rússia de realizar o que qualificou de "limpeza étnica" na Geórgia, que teria provocado a fuga de dezenas de milhares de pessoas de suas casas no interior do país.

Em um comunicado, a Agência de Refugiados da ONU (UNHCR, na sigla em inglês) disse que o número de deslocados por causa do conflito atingiu cerca de 158,6 mil pessoas.

As forças da Rússia continuam a controlar a cidade estratégica de Gori, entre a região separatista da Ossétia do Sul e a capital georgiana, Tbilisi, mas os soldados russos permitiram o envio de ajuda humanitária à cidade.

Uma equipe de reportagem da BBC acompanhou a distribuição de alimentos da Cruz Vermelha em Gori e testemunhou dezenas de pessoas disputando os produtos, cercando o veículo da organização.

Na Ossétia do Sul, uma porta-voz das autoridades locais disse que a polícia havia começado a substituir tropas de paz russas que ocupam a capital ossetiana, Tskhinvali.

O conflito entre Rússia e Geórgia começou há dez dias, quando o Exército russo invadiu a Ossétia do Sul depois do início de uma ofensiva georgiana na região. Posteriormente, a Rússia invadiu cidades georgianas fora da Ossétia do Sul, onde por ora permanecem.

"Plano" contra os russos
Em Moscou, o Ministério da Defesa anunciou ter descoberto um suposto plano para provocar a Rússia em Gori.

O Ministério disse ter interceptado comunicações de rádio que indicam que está se formando na periferia da cidade um grupo armado que incluiria georgianos, ucranianos e rebeldes chechenos.

O plano deles seria se vestir com uniformes militares russos e entrar em Gori, realizando então saques e provocando episódios de violência.

Tudo isso, de acordo com o Ministério da Defesa russo, seria filmado, e as imagens seriam apresentadas à imprensa estrangeira como uma prova de atrocidades russas.

A Geórgia negou que tal encenação venha sendo planejada.

"Tal provocação seria apenas feita pelo lado russo, com o objetivo de manter as unidades militares russas na zona de conflito", disse o Ministério georgiano do Interior em um comunicado.

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