Geórgia rompe relações diplomáticas com a Rússia

A Geórgia decidiu romper relações diplomáticas com a Rússia, três dias depois de Moscou ter reconhecido formalmente a independência das províncias separatistas da Ossétia do Sul e da Abecásia. O vice-ministro do Exterior da Geórgia, Grigol Vashadze, disse que seu ministério recebeu instruções e que a decisão final foi tomada.

BBC Brasil |

Segundo o ministério georgiano, todos os diplomatas serão retirados da embaixada em Moscou até sábado.

A Geórgia já havia anunciado anteriormente que iria reduzir o número de funcionários na Embaixada de Moscou e que seu embaixador, que foi retirado da Rússia no mês passado, não iria retornar ao posto.

Moscou disse que a decisão da Geórgia "não vai ajudar as relações bilaterais" entre as duas nações.

"O possível rompimento de relações diplomáticas com a Geórgia não é uma decisão de Moscou, e Tbilisi terá de arcar com toda a responsabilidade", disse o porta-voz do Ministério do Exterior russo, Andrei Nesterenko, segundo a agência de notícias oficial Tass.

"Maior envolvimento"
O governo da Geórgia não deu detalhes sobre as razões da decisão, mas ela foi divulgada em meio a relatos de que Moscou pretende aumentar seu envolvimento nas duas províncias rebeldes.

A agência de notícias russa Interfax divulgou a informação de que Moscou deverá assinar na próxima semana um acordo para estabelecer bases militares na Ossétia do Sul.

De acordo com a Interfax, o ministro do Exterior da Abecásia, Sergei Shamba, disse que a província "poderá se tornar parte de um estado unificado da Rússia e de Belarus".

O Kremlin não fez até agora nenhum comentário sobre esses relatos.

O conflito na região do Cáucaso se acentuou no início deste mês, quando a Geórgia lançou uma operação militar para retomar a Ossétia do Sul, que tem o apoio da Rússia.

Forças georgianas, russas e da própria Ossétia do Sul estiveram envolvidas em combates que causaram mortes e destruição na província. Ocorreram ainda choques na Abecásia, outra província separatista georgiana, e ataques russos em outras partes da Geórgia.

O conflito foi encerrado mediante um acordo de cessar-fogo proposto pela União Européia, que previa a retirada das tropas da região.

No entanto, a tensão se agravou nesta semana, depois de a Rússia anunciar o reconhecimento da independência das duas províncias. Diversos países condenaram a decisão do Kremlin.

"Crimes de guerra"
Nesta sexta-feira, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW), com sede nos Estados Unidos, divulgou imagens de satélite que supostamente confirmariam que vários vilarejos de maioria georgiana na Ossétia do Sul foram incendiados intencionalmente.

As imagens foram feitas depois dos combates na região e, segundo a HRW, mostram cinco aldeias próximas à capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali.

A organização afirma que uma análise detalhada das imagens, feita por especialistas das Nações Unidas, mostra que os danos foram intencionais, e não resultado de combates armados.

Segundo a HRW, essas imagens provam que ocorreram "crimes de guerra e graves abusos de direitos humanos".

A organização quer que o governo russo processe os responsáveis.

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