Geórgia rompe relações diplomáticas com a Rússia, mas manterá consulado

TIBILISI - A Geórgia anunciou, nesta sexta-feira, a ruptura das relações diplomáticas com a Rússia devido ao recente conflito armado e ao reconhecimento por Moscou da independência das regiões separatistas georgianas da Abkházia e da Ossétia do Sul, mas decidiu manter vínculos consulares com o país.

Redação com agências internacionais |

O governo da Geórgia ordenou ao Ministério de Assuntos Exteriores que rompesse as relações com a Rússia seguindo a resolução do Parlamento, que reconheceu a Abkházia e a Ossétia do Sul como "territórios ocupados" pela Rússia, informou o chefe adjunto da diplomacia Grigol Vashadze.

"Foi tomada a decisão definitiva. No Ministério, recebemos a ordem e romperemos as relações com a Federação da Rússia", explicou.

Desta forma, a "Geórgia já não terá na Rússia, nem a Rússia na Geórgia, a anterior grande representação que se encarregava do trabalho político", disse o vice-ministro.

Segundo o diplomata, "a decisão não significa que se suspendem definitivamente os contatos entre os Ministérios de Assuntos Exteriores de ambos os Estados. Esses contatos poderão ser feitos em território de outros países".

"Conservamos o consulado, pois, segundo a Convenção de Viena, a ruptura das relações diplomáticas não significa a ruptura automática das relações consulares", acrescentou.

O diplomata afirmou que "ambos os Estados estarão representados a nível de cônsul, vice-cônsul e pessoal técnico", que atenderão aos concidadãos no outro país e tratarão de assuntos humanitários.

Vashadze acrescentou que a nível diplomático, a Geórgia estará representada na Rússia pela embaixada de um terceiro Estado, que ainda não foi escolhido, e que, em caso de uma emergência, Moscou e Tbilisi poderão nomear enviados especiais que se reunirão em outros países.

Segundo ele, amanhã Tbilisi tirará todos os seus diplomatas de Moscou, modificando, portanto, sua decisão anterior de apenas reduzir funcionários de sua embaixada para dois, em comparação com os 30 que havia anteriormente.

Ele ressaltou que os diplomatas russos também terão que abandonar Tbilisi, apesar de ter dito que "não haverá prazos rígidos", e ter mostrado seu pessimismo sobre o futuro ao responder a uma pergunta sobre quando poderia retomar a "amizade" entre os dois países.

"Acho que não em nossas vidas", declarou.

O ministro para Assuntos de Reintegração georgiano, Temur Yakobashvili, já havia dito que Tbilisi, caso rompesse as relações, manteria vínculos consulares com Moscou, possivelmente através de outros países, para atender aos interesses dos quase um milhão de georgianos que vivem na Rússia.

Em Moscou, logo após o anúncio da decisão de Tbilisi, o porta-voz da Chancelaria, Andrei Nesterenko, declarou que a Rússia "lamenta a decisão da Geórgia de suspender as relações diplomáticas", mas afirmou que ainda não recebeu nenhum aviso oficial de Tbilisi.

Pouco antes, Nesterenko tinha declarado que a Rússia não queria a ruptura e desejava "manter contatos de trabalho por canais diplomáticos" com o Governo de Tbilisi, segundo a agência russa "RIA Novosti".

"A possível ruptura das relações não é a escolha da Rússia, e toda a responsabilidade por isso recairá sobre a Geórgia", disse o diplomata, advertindo que "restabelecer as relações requer esforços consideráveis".

Já o embaixador da Rússia em Tbilisi, Vyacheslav Kovalenko, anunciou que a missão diplomática está preparada para abandonar o país, caso a ruptura de relações seja confirmada oficialmente.

"Se a direção georgiana nos exige que os diplomatas russos abandonem o país, isto será feito. Mas esta não é a opção da Rússia, e sim da Geórgia", afirmou o embaixador.

Desta forma, o Governo de Tbilisi respondeu à resolução que na véspera havia declarado a Abkházia e a Ossétia do Sul como "territórios ocupados" e pediu ao Executivo para romper as relações com a Rússia.

A Geórgia já havia anunciado sua saída da Comunidade de Estados Independentes (CEI) após a intervenção militar russa no país caucásico em 8 de agosto.





Entenda a crise

A Rússia reconheceu formalmente, na terça-feira passada, a independência das províncias separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia da Geórgia. A decisão provocou uma reação do governo da Geórgia, que acusou a Rússia de estar anexando ostensivamente seu território.

A comunidade internacional também reagiu à medida russa. Os Estados Unidos e a França qualificaram a decisão de "lamentável". A Grã-Bretanha disse que rejeita categoricamente a medida.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse que a declaração viola várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU endossadas pela própria Rússia.

Entretanto, os líderes da Ossétia do Sul e da Abkházia, que proclamaram independência no início da década de 1990, agradeceram à Rússia e não descartam a possibilidade de se unirem futuramente ao país, a Abkházia como república federada e a Ossétia do Sul integrando-se à vizinha russa Ossétia do Norte.


                              Mapa da Geórgia

(*Com informações das agências EFE e Reuters)

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