Geórgia redige nota de protesto contra aumento de forças russas na Abkházia

Tbilisi, 4 mai (EFE).- A Geórgia entregou hoje uma nota de protesto ao embaixador russo em Tbilisi pelo aumento das forças de paz russas presentes na região separatista georgiana da Abkházia, que passaram de 2 mil para 3 mil soldados.

EFE |

"A nota oficial expressa a preocupação pelo aumento do número de soldados russos de pacificação na zona do conflito georgiano-abkhaziano", declarou o embaixador russo em Tbilisi, Vyacheslav Kovalenko.

O diplomata assegurou que Moscou "não violou nem um ponto do acordo sobre forças de pacificação assinado em 1994 pelos (então) presidentes da Geórgia, Eduard Shevardnadze, e da Rússia, Boris Yeltsin".

Enquanto isso, o primeiro-ministro georgiano, Lado Gurgenidze, tachou hoje de "ilegal" e "inaceitável" o aumento do contingente de paz russo em território abkházio.

"Cada novo soldado é considerado em Tbilisi como um potencial agressor", indicou Gurgenidze, advertindo que a decisão russa pode levar à "desestabilização da região".

O Ministério de Defesa russo informou no final de abril sobre o aumento de suas forças de paz na Abkházia, devido à "acumulação de tropas georgianas nas proximidades da zona de conflito e à ameaça do uso da força".

Conseqüentemente, a Chancelaria russa ressaltou que defenderá "por todos os meios, inclusive os militares", a população das regiões separatistas georgianas, caso sejam atacadas pela Geórgia.

O aumento das forças de paz russas foi recebido com inquietação tanto pela Otan, que pediu a Moscou que "revisasse" essa decisão, quanto pela União Européia (UE), que se disse "seriamente preocupada" com a escalada de tensão na zona.

O comandante da zona militar russa do Cáucaso Norte, general Aleksandr Baranov, assegurou hoje que o número total de soldados russos não superaria os limites estabelecidos pelo mandato de paz aprovado pela Comunidade dos Estados Independentes (CEI).

Tbilisi defende que a Rússia não tem o direito de aumentar sua presença militar na zona do conflito sem o consentimento da parte georgiana, e nega apoiar os planos de invadir a Abkházia ou a Ossétia do Sul, que possui uma ampla autonomia oferecida pelo país.

A Abkházia, que rompeu laços com a Geórgia após um conflito sangrento (1992-1993) na qual contou com a ajuda de Moscou, pediu ao Kremlin que reconheça sua independência.

Em resposta, o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou o restabelecimento das relações estatais econômico-comerciais com a Abkházia, suspensas desde 1996. EFE mv-io/bm/gs

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