AMSTERDÃ (Reuters) - A Geórgia pediu à Corte Internacional de Justiça da ONU que determine urgentemente à Rússia a suspensão dos supostos abusos que estariam sendo cometidos contra indivíduos georgianos, disse uma fonte do tribunal na quinta-feira. A Geórgia abriu na terça-feira o processo contra a Rússia no tribunal de Haia, também conhecido como Corte Mundial, que investiga conflitos entre nações. Tbilisi acusa Moscou de promover uma limpeza étnica nas regiões da Ossétia do Sul e Abkházia.

Habitualmente, os casos levados à CIJ levam anos para serem resolvidos, mas uma das partes pode solicitar uma 'indicação de medidas provisórias' (espécie de liminar).

A Geórgia acusa a Rússia de ter violado uma convenção contra a discriminação durante três intervenções na Ossétia do Sul e Abkházia entre 1990 e agosto de 2008, o que teria se refletido em 'ataques contra civis [...], homicídios, deslocamentos forçados e recusa de assistência humanitária'.

Na quinta-feira, apesar da pressão internacional para encerrar a ocupação, tropas e blindados russos se concentram em torno de três cidades georgianas. Moscou invadiu o país vizinho como reação à ocupação militar georgiana na Ossétia do Sul, uma república separatista que formalmente pertence a Tbilisi, mas desde o início da década de 1990 goza de autonomia sob proteção russa.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, se disse 'extremamente preocupado' com a situação de insegurança na Geórgia.

Em Gori, cidade georgiana 60 quilômetros a oeste de Tbilisi, jornalistas viram sinais de saques, atribuídos por moradores a milícias da vizinha Ossétia do Sul. A Rússia diz agir com firmeza para coibir saques e nega os abusos.

(Reportagem de Alexandra Hudson)

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