Geórgia pede trégua na Ossétia do Sul, mas Rússia quer retirada

Por Matt Robinson TIRDZNISI, Geórgia (Reuters) - A Geórgia fez um apelo neste sábado por um cessar-fogo depois que bombardeios da Rússia ampliaram uma ofensiva contra as forças georgianas que tentam retomar o controle da região separatista da Ossétia do Sul.

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No entanto, o chamado não parece ter sido levando em conta pelos líderes russos, que dizem ter sido legítimas as ações da Rússia e que a única forma de pôr fim ao conflito é com a retirada da Geórgia da Ossétia do Sul, separada do país desde os anos 90.

No terceiro dia de combates que ameaçam oleodutos e gasodutos considerados cruciais pelo Ocidente para o abastecimento energético da Europa, a Rússia anunciou ter assumido o controle da capital da região separatista georgiana, Tskhinvali, mas a Geórgia nega que isso tenha acontecido.

Funcionários russos disseram que os civis mortos chegam a 2 mil e que 30 mil refugiados da Ossétia do Sul fugiram para a Rússia nas últimas 36 horas. O governo russo afirmou que dois aviões foram abatidos e 13 de seus soldados morreram e 70 ficaram feridos.

Funcionários georgianos disseram que 129 georgianos foram mortos e 748 ficaram feridos.

'Faço um chamado para um cessar-fogo imediato,' disse o presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, em Tbilisi, capital da Geórgia. 'A Rússia iniciou uma invasão militar da Geórgia em grande escala,' acrescentou, acusando a Rússia de atacar deliberadamente objetivos civis.

A França, que ocupa a presidência rotativa da União Européia, propôs um plano para frear os combates, no qual se inclui um chamado à retirada das forças georgianas e russas. A presidência do bloco de 27 países também assinalou que a Rússia deveria aceitar imediatamente o cessar-fogo oferecido pela Geórgia.

FORÇA DESPROPORCIONAL

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, declarou que os ataques da Rússia à Geórgia fora da região da Ossétia do Sul são uma 'escalada perigosa' da crise e fez um chamado à Rússia para que ponha fim imediatamente aos bombardeios.

Um funcionário do alto escalão norte-americano disse ainda que a Rússia usou força 'desproporcional' na Ossétia do Sul e tem de retirar-se do território georgiano.

O presidente russo, Dmitry Medvedev, disse a Bush que a única solução para o conflito é a retirada das tropas georgianas da região separatista. O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, defendeu a incursão russa.

A ação militar russa intensificou dramaticamente uma prolongada disputa entre a Rússia e os líderes georgianos, o que pôs o Ocidente em alerta e provocou um dura troca de acusações nas Nações Unidas que lembraram os tempos da guerra fria.

Principal aliado ocidental de Saakashvili, Bush disse que a integridade territorial da Geórgia tem de ser respeitada.

O Parlamento da Geórgia aprovou uma declaração de estado de guerra no país, em vigor nos próximos 15 dias, enquanto a Rússia acusou o Ocidente de contribuir com a violência ao entregar armas à Geórgia.

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