Geórgia nega que Rússia tenha iniciado retirada de tropas

Misha Vignanski Tbilisi, 18 ago (EFE).- A Geórgia nega que as tropas da Rússia tenham começado sua retirada, apesar do comando russo ter anunciado hoje o início do recuo de suas unidades militares presentes na região desde 8 de agosto.

EFE |

"Os russos continuam ocupando nossas cidades. Não partem", assegurou à Agência Efe Shota Utiashvili, porta-voz do Ministério do Interior da Geórgia.

Atualmente, as tropas russas ocupam as cidades georgianas de Gori (perto da região separatista da Ossétia do Sul), Senaki e Zugdidi, próximas da fronteira com a também separatista Abkházia.

Segundo a rede de televisão georgiana "Rustavi 2", os russos explodiram na base militar de Senaki a pista de aterrissagem e também o armamento que estava armazenado.

Além disso, testemunhas contatadas pela Efe apontaram que ainda havia tropas russas na cidade de Igoeti, a apenas 35 quilômetros ao norte de Tbilisi, junto à estrada que conduz a Gori.

Perto de Igoeti, tanques russos destruíram hoje dois veículos da Polícia georgiana que bloqueavam o trânsito na estrada que une o norte e a capital, segundo a "Rustavi-2".

Um dos tanques colidiu deliberadamente contra um jipe e uma viatura da Polícia local estacionados na metade da estrada, embora não tivesse causado feridos.

Em discurso transmitidos pelas redes de televisão locais, o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, voltou hoje a pedir às tropas russas que abandonem a Geórgia.

"Já causaram graves danos, não vão causar mais. Sua presença não tem nenhum sentido. Exijo que suas tropas ocupantes saiam da Geórgia. Só depois poderemos começar um diálogo sério e tomar medidas concretas para que os dois países não se dêem as costas para sempre", apontou.

Em Moscou, o subchefe do Estado-Maior Geral das Forças Armadas da Rússia, Anatoli Nogovitsin, anunciou em coletiva de imprensa o começo do "recuo das tropas de paz e das forças de apoio na região".

No entanto, logo em seguida ressaltou que "existe o conceito de retirada e o de recuo. Na conversa do presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, só se falou de recuo".

"Espero que tenham percebido isto. Não se trata de uma retirada", acrescentou o general russo.

"Só posso dizer que não sairemos tão rápido como viemos", disse.

Entretanto, o presidente da Rússia viajou hoje a Vladikavkaz, capital da república russa da Ossétia do Norte, para discursar às tropas, condecorar militares que combateram contra os georgianos e se reunir com altos comandantes do Exército.

"A Rússia fará todo o possível para garantir a paz e estabilidade na Ossétia do Sul. Que não reste a mínima dúvida para ninguém", afirmou.

Medvedev ressaltou que a Rússia não deixará "sem castigo" as ações militares da Geórgia, à qual voltou a acusar de buscar o "extermínio do povo osseta".

"A comunidade internacional se deu conta da existência de monstros políticos capazes de assassinar gente indefesa", disse.

O chefe do Kremlin também defendeu que a Rússia não deseja um agravamento da situação internacional, "mas quer ser respeitada".

"Que respeitem nosso Estado, nosso povo, nossos valores", afirmou; Medvedev disse ontem a Sarkozy em uma conversa por telefone que começaria hoje o recuo das unidades russas do território da Geórgia, em conformidade com o plano elaborado pela União Européia (UE).

O plano, assinado por Medvedev e Saakashvili, contém os seguintes pontos: a renúncia ao uso da força, a cessação definitiva de todas as ações militares, o livre acesso à ajuda humanitária e o retorno das Forças Armadas georgianas a suas posições iniciais.

A Chancelaria russa acusou hoje os Estados Unidos e o Reino Unido de criarem obstáculos para a aprovação no Conselho de Segurança da ONU de uma resolução que reflita o conteúdo do plano europeu.

"Os EUA e o Reino Unido tentam veladamente deturpar o conteúdo do acordo", assinala o comunicado.

A nota também faz alusão ao fato de o presidente russo não ter recebido a "confirmação" de que as tropas georgianas retornaram aos seus postos originais.

"O ritmo de nossos passos futuros dependerá da boa vontade mostrada por Tbilisi na hora de cumprir com o que foi exigido", aponta.

Desde o início do conflito, a Rússia defendeu a emissão de uma resolução que condenasse a agressão do Exército georgiano contra os separatistas da Ossétia do Sul, o que tem oposição dos EUA. EFE mv/bm/rr

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