Geórgia na Otan pode causar guerra com Rússia, diz Schroeder

Por Madeline Chambers BERLIM (Reuters) - O ex-primeiro-ministro alemão Gerhard Schroeder alertou nesta quinta-feira que permitir à aspirante Geórgia, com seu líder imprevisível, se juntar à Otan poderia levar a um conflito armado com a Rússia.

Reuters |

Schroeder, amigo próximo do primeiro-ministro russo Vladimir Putin, disse ter ficado chocado com a abordagem unilateral que as nações ocidentais adotaram nos tratos com a Rússia a respeito do conflito com a Geórgia.

"Quem quer que traga a Geórgia para a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) deve saber que -- vou dizer isso educadamente -- à luz da natureza imprevisível de seu líder atual e da política de cerceamento à Rússia, apoiada pelos EUA, a Otan pode acabar se envolvendo em um conflito", disse Schroeder.

"O que isso significaria -- tanto historicamente quanto para o desenvolvimento de futuras relações -- para soldados alemães participarem em um tal conflito deve ser dito abertamente"- disse o social-democrata em discurso em uma conferência sobre energia.

Seu posicionamento se choca com o da atual premiê alemã, Angela Merkel, que, com outros membros da União Européia, condenou a reação militar russa contra a Geórgia na Ossétia do Sul como desproporcional.

Schroeder ainda disse que garantir os suprimentos de energia à Europa é importante, mas que uma abordagem multilateral, incluindo a Rússia, é necessário.

"Os planos de tornar a política energética uma tarefa da Otan são absurdos e nos levariam a uma situação de segurança e política externa extremamente difícil", disse ele.

A Alemanha depende da Rússia para suprir cerca de 44 por cento de suas importações de gás e Schroeder disse ser importante que as rotas de energia ao país sejam renovadas e ampliadas.

Schroeder desenvolveu uma relação próxima com Putin durante seus sete anos como chanceler e é presidente de um consórcio russo-germânico que está construindo um duto de gás sob o Mar Báltico.

Anteriormente, Schroeder havia instado a UE a buscar uma "parceria estratégica" com Moscou, argumentando que a Europa arrisca perder influência se não trabalhar com a Rússia.

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