Geórgia e Rússia trocam acusações em meio a recuo questionável de tropas

Tbilisi/Moscou, 20 ago (EFE).- A Geórgia denunciou hoje que a Rússia, apesar das declarações de que está recuando suas tropas, está ampliando na prática as zonas de ocupação, enquanto o comando russo acusou Tbilisi de não ter renunciado a seus planos de solucionar o conflito na região separatista da Ossétia do Sul por meio da força.

EFE |

"A ocupação da Geórgia continua", declarou à Agência Efe a porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores georgiana, Nato Chikovani.

A porta-voz foi categórica: "Ouvimos palavras de retirada, mas na realidade as tropas russas ocupam novas e novas instalações".

A emissora "Rustavi 2" mostrou hoje imagens de soldados russos cavando trincheiras perto de um cruzamento de estradas e ferrovias nos arredores da cidade portuária de Poti, no Mar Negro.

"O fato de que tenham se fortalecido em diversas cidades, e isto pode ser visto no caso de Poti, mostra claramente que os russos não têm planos de saírem da Geórgia", declarou à Agência Efe o porta-voz do Ministério do Interior georgiano, Shota Utiashvili.

As tropas russas mantinham hoje o controle da estratégica cidade de Gori, a 70 quilômetros de Tbilisi, mas retiraram quatro postos de controle, informou a "Rustavi 2".

Vladimir Vardzelashvili, representante do Governo georgiano em Gori, disse à "Rustavi 2" que os carros blindados que estavam nos postos de controle construídos pelo comando russo estavam no norte da cidade, em direção à Ossétia do Sul, situada a uma distância de 25 quilômetros.

Vardzelashvili afirmou que as tropas russas explodiram na noite de ontem as instalações da base militar de reservistas de Osiauri, a 20 quilômetros a oeste de Gori.

A "Rustavi 2" também mostrou imagens de uma coluna militar russa que chegou ontem à noite aos arredores da cidade de Shachjere, a 20 quilômetros a oeste da fronteira com a Ossétia do Sul.

A coluna, formada por 19 blindados e seis caminhões com soldados, não entrou na cidade, onde funciona um centro de treinamento da infantaria de montanha, criado com ajuda da França.

Enquanto isto em Moscou, o subchefe do Estado-Maior do Exército russo, general Anatoly Nogovitsyn, disse que o Governo da Geórgia não renunciou a uma solução militar ao conflito com a Ossétia do Sul.

"A parte georgiana continua o reagrupamento e o restabelecimento da capacidade combativa de suas tropas", declarou o general russo em entrevista coletiva transmitida ao vivo pela rádio.

Nogovitsyn contou que as autoridades georgianas realizam "esforços enérgicos" para restabelecerem a capacidade de combate de suas Forças Armadas e, "a julgar por tudo, a direção política da Geórgia não tem intenção de renunciar a seus planos de agressão", deixou claro o general.

Ao ser perguntado sobre as possíveis conseqüências da criação de uma comissão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)-Geórgia, advertiu que o apoio da aliança militar a Tbilisi pode levar os líderes georgianos a lançarem uma nova agressão.

Os países da Otan decidiram ontem endurecer sua postura com Moscou e afirmaram que as relações entre as duas partes não podem continuar como até agora, após a atuação da Rússia no conflito da Geórgia.

"A ação militar da Rússia foi desproporcional e contrária a seu papel de manutenção da paz, assim como incompatível com os princípios da resolução pacífica de conflitos", destacaram os ministros de Assuntos Exteriores dos aliados em seu comunicado oficial.

O líder do Partido Comunista russo, Gennady Ziuganov, pediu hoje o reconhecimento da independência das regiões separatistas georgianas da Abkházia e da Ossétia do Sul.

"Chegou o momento da verdade. A principal tarefa é reconhecer nos próximos dias a Ossétia do Sul e a Abkházia. Sem isto, não haverá paz no Cáucaso", destacou Ziuganov em declarações divulgadas pelo site do Partido Comunista russo.

Ziuganov disse que os políticos russos mantêm uma posição unânime frente à Ossétia do Sul e à Abkházia e, portanto, é necessário "convocar uma sessão da Duma (a câmara baixa do Parlamento russo) e formalizar todas estas decisões". EFE mv-bsi/wr/fal

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