TBILISI - Em volta de fogueiras, os georgianos lembraram nesta sexta-feira o primeiro aniversário do início da Guerra de 5 Dias contra a Rússia pelo controle da região separatista da Ossétia do Sul, em um conflito que ainda pode voltar a se inflamar.

Em 7 de agosto de 2008, as forças georgianas lançaram uma ofensiva para recuperar o controle da Ossétia do Sul, uma república separatista do país, que nos últimos anos já havia se tornado na prática um protetorado russo.

Moscou reagiu à ocupação com um devastador contra-ataque, que terminou em 12 de agosto. A guerra matou pelo menos 390 civis e, no seu auge, deixou mais de 100 mil refugiados. Um ano depois, o cessar-fogo não chegou a ser totalmente implementado, há tiroteios esporádicos, e os monitores internacionais já deixaram a Ossétia e uma outra região separatista, a Abkházia.


Georgianos acenam com bandeiras do país um ano após a guerra / Reuters

À meia-noite, foram acesas fogueiras na capital Tbilisi e em várias outras cidades da Geórgia. Outras cerimônias estavam previstas no país e também na Ossétia do Sul.

Em Tbilisi, uma exposição de fotos -- que inclui bonecos vestidos como soldados soviéticos -- apresenta a guerra como continuação de uma invasão russa que remonta ao império czarista. Na TV, anúncios dizem "Pare, Rússia" e "A luta continua."

A Ossétia do Sul planeja realizar uma marcha e uma vigília à luz de velas na dilapidada capital regional, Tskhinvali. A Rússia colocou soldados em alerta e acusou os EUA de rearmarem a "máquina bélica" georgiana.

Moscou afirma que interveio no país vizinho para proteger uma força de paz sua e civis com cidadania russa. Já Tbilisi afirma que os russos passaram anos preparando a invasão, para punir a ex-república soviética por pleitear adesão à Otan.

A guerra abalou a confiança ocidental nas rotas de gás e petróleo que passam pela Geórgia.

"Estou confiante de que o mundo um dia entenderá que a maior promessa de estabilidade e paz na nossa região é a aceitação da independência da Ossétia do Sul", disse o presidente da Ossétia do Sul, Eduard Kokoity, em nota.

Grupos de direitos humanos dizem que houve bombardeios indiscriminados em Tskhinvali, e que depois da invasão soviética surgiram milícias que saqueavam e queimavam aldeias da etnia georgiana. Cerca de 30 mil pessoas, especialmente de origem georgiana, continuam desabrigadas.

Em geral, diplomatas consideram que a Geórgia cometeu um erro de avaliação ao invadir a Ossétia do Sul. O Ocidente acusa a Rússia de ter tido uma reação "desproporcional."

Leia mais sobre: conflito no Cáucaso

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.