Geórgia diz ter saído da Ossétia do Sul; Rússia nega

O Exército da Geórgia disse neste domingo que retirou suas tropas da Ossétia do Sul e que a região está agora sob controle de forças da Rússia, após dois dias de intensos combates. A informação foi confirmada por um porta-voz do Exército da Geórgia ao correspondente da BBC Matthew Collin na capital do país, Tbilisi.

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No entanto, um comantante russo que está na Ossétia do Sul disse que as tropas da Geórgia continuam na região e pediu para que haja uma retirada completa.

A Ossétia do Sul é uma região separatista da Geórgia que conta com apoio da Rússia. Na sexta-feira, milhares de tropas da Rússia entraram na região para expulsar tropas da Geórgia, que haviam ingressado na capital regional Tskhinvali.

Russos e separatistas ossetas dizem que 1,5 mil civis morreram, sendo a maioria civis. Geórgios negam a estimativa e afirmam que até 130 pessoas morreram, incluindo 37 civis.

Milhares de pessoas deixaram suas casas em direção à Ossétia do Norte, na Rússia, e à outras regiões da Geórgia.

Fortes baixas

A Geórgia afirma que as suas tropas saíram totalmente da Ossétia do Sul depois de sofrerem fortes baixas para as forças russas.

As autoridades da Geórgia também afirmam que jatos russos bombardearam, na madrugada de sábado para domingo, um aeroporto militar próximo à Tbilisi, fora da região de conflito.

O governo diz que navios russos estão próximos da costa da Geórgia para formar um bloqueio naval e que 10 mil soldados russos entraram na Ossétia do Sul e na Abecásia, outra região separatista da Geórgia apoiada por Moscou.

O governo do país disse esperar por uma intervenção internacional para pôr fim ao conflito.

O ministro do Interior da Geórgia, Shota Utiashvili, disse em Tbilisi que as tropas estão deixando a Ossétia do Sul para poderem combater os russos que estão bombardeando agora outras regiões da Geórgia.

No entanto, há relatos de que tropas geórgias estão partindo da cidade de Gori em direção à Ossétia do Sul. O correspondente da BBC em Gori, Gabriel Gatehouse, disse ter visto tropas se deslocando para a fronteira.

O enviado da BBC à fronteira sul da Ossétia do Sul, Richard Galpin, disse que ouviu troca de tiros entre forças russas e geórgias. Segundo o enviado, testemunhas dizem que o conflito continua.

Russos negam retirada

Militares da Rússia na Ossétia do Sul negam que as tropas da Geórgia tenham se retirado.

Um comandante russo na Ossétia do Sul disse que os dois lados estão se preparando para mais combates.

O major-general Marat Kulakhmetov insistiu que a Geórgia precisa retirar suas tropas da Ossétia do Sul para que se possa negociar um cessar-fogo.

Segundo ele, a situação continua tensa na região e não existe nenhum processo de negociação.

O porta-voz das forças de paz da Rússia, que estavam na Ossétia do Sul antes do conflito, disse que a Geórgia não retirou suas forças da região.

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, visitou neste domingo a região russa que faz fronteira com a Ossétia do Sul e disse que o que está acontecendo na Geórgia é "genocídio".

Diplomacia

Os Estados Unidos, a União Européia e a Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) enviaram uma delegação à Geórgia para tentar mediar o conflito.

Na noite de sábado, o Conselho de Segurança da ONU voltou a fracassar na tentativa de elaborar uma resolução. Estados Unidos, França e Grã-Bretanha pressionam a Rússia pelo conflito, mas Moscou culpa a Geórgia.

O vice-assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, James Jeffrey, disse que as ações da Rússia são "perigosas e desproporcionais" e que o conflito pode afetar as relações entre Estados Unidos e Rússia.

"Nós estamos alarmados com esta situação", disse ele à jornalistas em Pequim, onde está acompanhando a Olimpíada.

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