Geórgia diz confiar na mediação dos EUA em conflito com a Abkházia

Tbilisi, 11 mai (EFE).- A Geórgia afirmou hoje que acredita na mediação dos Estados Unidos para uma solução pacífica do conflito com a região separatista da Abkházia, que pediu à comunidade internacional para reconhecer sua independência.

EFE |

"Os EUA são uma parte imparcial que podem convencê-los (os líderes da Abkházia) a voltar à mesa de negociações", afirmou o ministro da Reintegração georgiano, Temur Iakobashvili, à agência russa "Interfax".

Iakobashvili considerou "importante" a atual visita à Abkházia do subsecretário de Estado adjunto americano para Assuntos Europeus e Asiáticos, Matthew Bryza.

"Além dos russos, outros também devem falar" com as autoridades da região separatista, acrescentou o ministro.

"Achamos que o representante dos EUA explicará a importância de retomar o diálogo direto com a Geórgia", disse.

O ministro georgiano ressaltou que Tbilisi espera contar com a "ajuda da comunidade internacional" na hora de retomar o diálogo entre as partes.

Bryza denunciou neste sábado, após se reunir com o presidente da região separatista, Serguei Bagapsh, que as novas tropas russas posicionadas na Abkházia não são forças de pacificação, nem se somaram ao contingente de paz.

"As novas tropas russas aerotransportadas não se uniram ao contingente de paz russo. Estão em outro lugar. Não se sabe onde estão e o que estão fazendo. Isso é perigoso", disse Bryza à Agência Efe em uma conversa por telefone de Sukhumi.

Bryza considerou uma "provocação" a recente decisão da Rússia de aumentar de 2.000 para 2.500 soldados o efetivo em solo da Abkházia, devido a uma suposta acumulação de tropas georgianas na fronteira com a região separatista e "a ameaça de uso da força".

"Isso não é verdade. Segundo os observadores da ONU na zona, a Geórgia não enviou tropas à zona de conflito ou ao desfiladeiro de Kodori", disse.

De acordo com o enviado americano, as recentes decisões russas "criam obstáculos ao advento da paz e da estabilidade na região (...) e contradizem o desejo da Rússia de ser mediador no processo de resolução do conflito", disse.

Além disso, disse que o objetivo de sua visita a Tbilisi e a Sokhumi era "rejuvenescer" o processo de paz, e colocou a possibilidade da participação de outros países da região, como "a Ucrânia e a Turquia".

Enquanto isso, o chefe da diplomacia da Abkházia, Serguei Shamba, disse à Efe que a participação de outros países no processo de resolução "não é necessária", já que o atual modelo de pacificação é válido.

Além disso, defendeu o aumento das tropas russas em seu território, ao considerar que não superam os limites estabelecidos pelo mandato de paz de 1994.

Recentemente, Saakashvili se mostrou disposto a assinar com as regiões separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul acordos de não agressão, caso seja modificado o atual formato das forças de interposição entre os territórios.

A Geórgia afirma que a Rússia não tem direito de aumentar sua presença militar na zona do conflito sem o consentimento de Tbilisi, e nega que tenha planos de invadir os territórios separatistas, a quem ofereceu ampla autonomia. EFE mv/wr/an

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