Geórgia controla capital da Ossétia do Sul, diz presidente

TBILISI - As forças georgianas controlam Tskhinvali, capital da Ossétia do Sul, e a área ao redor, disse na sexta-feira o presidente georgiano, Mikheil Saakashvili, acrescentando que cerca de 30 georgianos morreram em um bombardeio russo.

Redação com agências internacionais |

"Tskhinvali e as colinas ao redor da cidade, além da maioria das vilas da Ossétia do Sul, estão sob o controle das forças georgianas", disse o presidente em pronunciamento na TV.

"Infelizmente, como resultado do bombardeio, cerca de 30 pessoas, a maioria militares, estão mortas", disse Saakashvili no discurso, que durou cinco minutos.

Mais de 1.400 mortos na Ossétia do Sul

Os bombardeios das tropas da Geórgia à capital da região separatista Ossétia do Sul deixaram cerca de 1.400 mortos nesta sexta-feira, anunciou o presidente da região separatista, Eduard Kokoity.

A Rússia acusa a Geórgia de ter iniciado nesta sexta-feira uma ofensiva contra a região separatista da Ossétia do Sul, aliada de Moscou, enquanto o governo georgiano assegura que se limitou a responder às agressões das autoridades da Ossétia do Sul.

As tropas da Geórgia cercaram a capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali, nesta sexta-feira, depois de uma noite de intensos conflitos e ofensivas aéreas na região. Os combates começaram poucas horas depois de acertado um cessar-fogo em conversações mediadas pela Rússia. Cada lado culpa o outro pela quebra do cessar-fogo.

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, afirmou nesta manhã que as Forças Armadas controlam quase a totalidade da região separatista.

Em resposta, a Rússia enviou tropas e também um ataque aéreo contra bases georgianas. Pelo menos cinco aviões foram abatidos pela defesa da Geórgia.

O premiê russo, Vladimir Putin, que está na China para a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, afirmou que a Rússia irá reagir às "ações agressivas" da Geórgia.


Imagem da TV capta tanque georgiano após ataque na Ossétia do Sul/AP

Conflito

A Geórgia acusa a Rússia de armar os rebeldes da Ossétia do Sul, que tentam a separação desde a guerra civil da década de 90, quando a região declarou sua independência. Moscou nega essas acusações.

A Rússia está insatisfeita com a ambição da Geórgia de integrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, a aliança de defesa ocidental), e acusou o país de concentrar suas forças em torno das regiões separatistas, onde tropas de paz russas estão estacionadas.

Tensão exacerbada

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, disse em entrevista à CNN que a Rússia está travando uma guerra contra seu país . "Temos tanques russos entrando. Temos bombardeios russos contínuos desde ontem, especialmente contra a população civil", disse Saakashvili à CNN. "A Rússia está lutando uma guerra contra nós em nosso próprio território", acrescentou.

A Rússia, por sua vez, anunciou a interrupção de todas suas conexões aéreas com a Geórgia a partir deste sábado, segundo o ministério russo dos Transportes citado pelas agências RIA-Novosti e Interfax.


Mapa da Geórgia

História

Depois da queda da União Soviética, em 1991, a Geórgia votou pela restauração da independência que havia brevemente experimentado durante a Revolução Bolchevique.

No entanto, a postura nacionalista refletiu em problemas com a região norte da fronteira da Geórgia, habitada pelos ossetas - um grupo étnico distinto natural das planícies russas, ao sul do rio Don.

A Ossétia do Sul fica do lado georgiano da fronteira, enquanto a Ossétia do Norte fica em território russo. Apesar disso, os laços entre as duas regiões permaneceram fortes e o movimento pela independência osseta foi estimulado pelas dificuldades enfrentadas na época dos czares, no período comunista até atualmente.

Quando a Geórgia se separou da União Soviética, o governo nacionalista proibiu o partido político da Ossétia do Sul, o que levou os ossetas a boicotarem a política georgiana e realizarem suas próprias eleições - pleito que foi considerado ilegal pela Geórgia.

Os conflitos entre os separatistas e as forças georgianas começaram nesta época, mas o Exército da Geórgia não exterminou os rebeldes ossetas por medo de uma intervenção russa.

A Ossétia do Sul proclamou sua independência em 1992, mas sua autonomia não foi reconhecida pela comunidade internacional. A região quer ser agregada à Federação Russa, assim como a Ossétia do Norte.

A situação está frágil desde 1990 e se agravou ainda mais há quatro anos, quando os georgianos começaram a realizar operações policiais e de combate ao contrabando na região.


Tanques da Geórgia patrulham a cidade de Gori/EFE

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Com informações da Reuters e da BBC Brasil

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