Geórgia assinará acordo estratégico com EUA para se aproximar da Otan

Misha Vignanski. Tbilisi, 28 dez (EFE).- O acordo de associação estratégica que os Estados Unidos assinarão com a Geórgia após o Ano Novo busca apoiar o país após o conflito com a Rússia e aproximá-lo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), afirmou hoje à Agência Efe o chefe da diplomacia georgiana, Grigol Vashadze.

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"Será um documento histórico, no qual os Estados Unidos confirmarão o respeito à integridade territorial, soberania e independência da Geórgia, seu direito de escolher seu caminho", disse o ministro de Assuntos Exteriores em entrevista exclusiva.

O chanceler ressaltou que este respaldo é crucial para a Geórgia após o conflito armado de agosto com a Rússia, que reconheceu a independência das regiões separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia, protegidas agora por tropas regulares russas.

Vashadze, que viajará para Washington em 3 de janeiro para assinar no dia seguinte o documento com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, afirmou que o nome - Carta de Cooperação Estratégica entre EUA e Geórgia - "fala por si só".

"O acordo inclui a cooperação nos âmbitos da defesa e da segurança, tem questões econômicas e humanitárias, e também fala do respaldo à democracia na Geórgia", destacou.

O ministro disse que a associação estratégica com os EUA contribuirá para a aproximação da Geórgia à Otan, que este ano negou convidar o país a fazer parte do Plano de Ação para a Adesão, considerado ante-sala de entrada na organização, ignorando a posição de Washington e atendendo aos protestos e ameaças de Moscou.

"A carta será um documento de muitas facetas, similar aos que os EUA assinaram com Lituânia, Letônia e Estônia para ajudá-las a se aproximar da Otan" e entrar na organização em 2004, quando também aderiram à União Européia (UE), ressaltou.

O ministro de Exteriores lituano, Vygaudas Usackas, confirmou hoje em Tbilisi que o acordo similar assinado há dez anos com os EUA "teve um papel importante para garantir a segurança e o avanço democrático da Lituânia e ajudá-la a entrar na Otan".

"A assinatura de tal acordo com uma potência como os EUA é crucial para a Geórgia, pois é um importante sinal político a outros Estados do mundo e uma garantia substancial para qualquer pequeno país", afirmou.

Para o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, principal aliado dos EUA no Cáucaso, "a assinatura do acordo de associação estratégica significa que nossas relações com o Estado mais poderoso do mundo entrarão em um novo nível qualitativo, para a segurança não só da Geórgia, mas de toda a região".

Saakashvili, submetido nos últimos três meses a uma grande pressão por parte da Rússia e da oposição, tinha insistido na importância de fechar o acordo antes da mudança de Administração na Casa Branca.

Alguns analistas acreditam que Saakashvili temia que o novo presidente americano, Barack Obama, virasse as costas para não irritar a Rússia, que já instala suas bases militares na Abkházia e na Ossétia.

No entanto, Vashadze assegurou à Efe que "o texto da Carta foi pactuado com a futura Administração americana, e sua assinatura no atual período de transição demonstrará que a política externa dos EUA em direção à Geórgia não muda".

"No Ocidente, compreendem cada vez melhor por que a Geórgia insistiu tanto em advertir seus aliados de que a Rússia se prepara para a guerra, e por que nosso Estado precisa tanto do guarda-chuva da segurança euro-atlântica", ressaltou.

As relações com a Rússia, rompidas após o conflito, segundo Vashadze, "seguirão próximas ao ponto de congelamento, porque Moscou se empenha em declarar que a situação da Abkházia e da Ossétia não mudará".

"Para a Geórgia, é absolutamente inaceitável que Rússia, Nicarágua e o Hamas reconheçam a independência de entes que são parte inalienável de seu território. Se Moscou não mudar sua postura, as perspectivas serão muito tristes", assinalou o ministro.

Ele lembrou que a Suíça representará os interesses russos na Geórgia e georgianos na Rússia.

Além disso, advertiu de que a Rússia pode bloquear em fevereiro o trabalho da missão da ONU na Geórgia, como acaba de fazer com a Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), sob pretexto de que o status da Abkházia e da Ossétia tenha mudado após Moscou reconhecer sua independência.

"A Rússia procura reduzir ao mínimo a presença internacional na Geórgia para esconder o que ocorre nos territórios ocupados, incluindo as limpezas étnicas", disse, sobre a expulsão de moradores georgianos das duas regiões.

Os 200 observadores da União Européia desdobrados em torno da Abkházia e Ossétia "são o único fator de contenção, e seu número deve aumentar", ressaltou Vashadze.

O chanceler, que possui dupla cidadania, georgiana e russa, disse que "seria uma estupidez" abandonar a segunda, pois está "orgulhoso" de tê-la.

"O conflito contra a Geórgia não foi originado pelo povo russo, mas um círculo muito limitado de pessoas do Kremlin", destacou. EFE mv/db

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