Geórgia assina o cessar-fogo e Rússia se proclama único árbitro do Cáucaso

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, anunciou nesta sexta-feira que assinou o acordo de cessar-fogo com o ocupante russo, ao mesmo tempo em que conseguiu o respaldo dos Estados Unidos e da Alemanha para exigir a saída das tropas russas de seu território. Moscou, sem dar sinais de recuo, duvidou que o governo de Tbilisi recupere a Abkházia e a Ossétia do Sul.

AFP |

"Depois da assinatura do acordo, todas as forças russas (...) devem ir embora imediatamente", disse a chefe da diplomacia de Washington, Condoleeza Rice, que criticou duramente a Rússia por não ter cumprido seu compromisso de retirar-se da Geórgia.

Em Paris, uma nota do Palácio Eliseu precisou que o presidente russo Medvedev assegurou ao colega Nicolas Sarkozy que seu país vai assinar o acordo de cessar-fogo com a Geórgia e respeitar "escrupulosamente" seus compromissos "principalmente a retirada das forças".

Os Estados Unidos, por sua vez, consideram necessário um futuro envio de uma força internacional de manutenção de paz "imparcial" na Geórgia.

"Precisamos de observadores internacionais e depois, na hora certa, de uma força internacional de manutenção de paz mais robusta e imparcial", afirmou Condoleeza Rice, após encontro com o presidente Saakashvili.

"A posição dos EUA é a de que será preciso enviar uma força internacional de paz neutra para este local de conflito", afirmou.

Já a Rússia diz que os separatistas ossetas e abkázios só aceitarão a presença em seu território das tropas de Moscou.

"A Rússia, como garante da segurança no Cáucaso e na região, tomará a decisão de apoiar sem ambigüidades a vontade desses dois povos", disse o presidente russo Medvedev em entrevista à imprensa junto com a chefe do governo alemão Angela Merkel.

"Infelizmente, depois do que aconteceu, é pouco provável que os ossetas do sul e os abkházios possam viver num mesmo Estado com os georgianos", advertiu.

Estados Unidos e Alemanha levantaram o tom.

"A ameaça e a intimidação não são formas aceitáveis de conduzir a política externa no século XXI. Somente a Rússia pode decidir se quer encontrar o caminho das nações responsáveis ou se quer perseguir uma política que promete somente confronto e isolamento'", afirmou o presidente dos Estados Unidos.

Para Bush, a Rússia prejudicou sua credibilidade ante o Ocidente ao invadir sua vizinha Geórgia. Ele foi enfático ao dizer que Moscou deve cumprir com sua palavra e se retirar da Geórgia.

A chefe de Governo da Alemanha, Angela Merkel, em entrevista à imprensa em Sochi, defendeu nesta sexta-feira a integridade territorial da Geórgia e seu direito de entrar na Otan.

"O ponto-chave de partida para uma solução política deve ser a integridade territorial da Geórgia", disse a chanceler alemã ao lado de Medvedev, após uma reunião centrada na crise militar no Cáucaso.

O presidente Saakashvili proclamou por sua vez que a Geórgia não cederá nem um quilômetro quadrado da república do Cáucaso.

No terreno, um comboio de dez blindados russos avançou hoje em território georgiano a partir da cidade estratégica de Gori e se deteve a uma distância de 40 km da capital Tbilisi, constatou um correspondente da AFP.

A coluna, com um primeiro veículo de bandeira russa, percorreu 25 km a leste de Gori, detendo-se perto da localidade de Igoieti. De lá, se dividiu em dois para nordeste e para o povoado de Lamiskana.

No centro de Gori não se viam soldados russos, embora numerosos blindados estavam posiciondos a poucos quilômetros, na estrada que vai para Tsjinvali, a capital da Ossétia do Sul.

Em duas praças de uma cidade espectral, centenas de pessoas esperavam ajuda humanitária de Tbilisi.

Por sua vez, o presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, propôs ao colega russo, Dimitri Medvedev, negociações urgentes sobre o uso de um porto do sul da Ucrânia como base para a Frota de Moscou no mar Negro, anunciou a página web da presidência ucraniana.

"Enviei solicitação urgente ao presidente russo através dos canais oficiais para começar as negociações (...) destinadas a regular nossas relações durante ações militares como as que foram vistas no começo de agosto", disse Yushchenko citado também pela Interfax.

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