Geórgia acusa tropas russas de invadirem porto de Poti; Rússia nega

Tropas russas entraram no porto georgiano de Poti, às margens do mar Negro, um centro de transporte de petróleo e cargas, anunciou há pouco o primeiro-ministro georgiano Lado Gurguenidze em entrevista transmitida pela televisão local. O Ministério da Defesa russo negou a informação.

Redação com agências internacionais |


Tanques russos patrulham fronteira da Geórgia / AP

'De acordo com nossas informações, tropas russas entraram em Poti e estão também em Senaki e Zugdidi', disse Gurgenidze em uma mensagem televisionada, se referindo a duas outras cidades no oeste da Geórgia.

"Lamentamos ter presenciado tudo isso sem que nossos parceiros ocidentais intervenham mais ativamente," afirmou. 

Já de acordo com a agência de notícias russas Interfax, um representante do Ministério afirmou que as tropas russas nunca receberam esta ordem.

O porto de Poti é essencial para o transporte de recursos energéticos do Mar Cáspio, fica próximo do oleoduto de Baku-Supsa e do terminal petroleiro de Supsa.

Território ocupado

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, afirmou que as forças russas ocupam "a maior parte" do território georgiano.

"A maior parte do território da Geórgia está ocupada", declarou o chefe de Estado em discurso transmitido pela televisão.

O Exército russo entrou nesta segunda-feira pela primeira vez no território georgiano, fora das regiões separatistas pró-russas da Ossétia do Sul e da Abkházia.

Um alto representante do governo georgiano havia anunciado mais cedo que o Exército russo ocupou Gori, maior cidade georgiana perto da Ossétia do Sul. A Rússia negou a informação.

Em outra frente, tropas russas avançaram 40 quilômetros no território georgiano, a partir da região separatista de Abkházia em direção à cidade de Senaki, informou o Ministério do Interior georgiano.

Horas depois, uma nota do Ministério de Defesa da Rússia informou que o Exército deixou a cidade após "eliminar" uma ameaça de bombardeio à Ossétia do Sul.

Autoridades russas reafirmaram que não têm intenção de ocupar territórios além da Ossétia do Sul e da Abkházia.

Senaki está fora da zona de segurança que delimita a fronteira entre a Abkházia e o restante da Geórgia. Forças de paz russas estão na região desde que o território se separou, nos anos 1990.


Cessar-fogo rejeitado

A Rússia rejeitou a última proposta de cessar-fogo feita pela Geórgia para pôr fim ao conflito envolvendo os dois países na segunda-feira e forças da Geórgia voltaram a atacar posições da Ossétia do Sul nesta manhã.

Autoridades russas afirmaram que sequer considerariam um documento pedindo uma trégua no momento atual. "Segundo informações de forças de paz na Ossétia do Sul, a Geórgia continua a usar força militar e, com isso, não podemos considerar esse documento", disse um porta-voz do Kremlin a jornalistas.

"As tropas georgianas retomaram seus bombardeios em massa com diferentes tipos de armas, entre elas artilharia pesada, contra localidades da Ossétia do Sul", declarou Irina Glagoieva, porta-voz do governo rebelde.

A declaração russa vem depois de o presidente georgiano, Mikheil Saakashvili assinar um documento em Tbilisi, capital da Geórgia, oferecendo um cessar-fogo .


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Interferência dos EUA

Os Estados Unidos estão tentando perturbar as operações mililtares russas na Geórgia usando seus aviões para transportar as tropas georgianas do Iraque para as zonas em conflito, denunciou nesta segunda-feira o primeiro-ministro russo Vladimir Putin.

"É uma lástima que alguns de nossos aliados não nos ajudem e tentem, inclusive, nos perturbar, e com isso me refiro principalmente ao deslocamento do contingente militar da Geórgia no Iraque para a zona de conflito (oseta) pelos Estados Unidos e seus aviões de transporte militar", declarou Putin.

Ataques na capital

A Geórgia denunciou nesta segunda-feira que a Rússia promoveu ataques aéreos contra Tbilisi, capital do país. Assista ao vídeo abaixo:

(* Com informações das agências Reuters, AFP e EFE)

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Opinião:

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